quarta-feira, 21 de abril de 2010

A diferença entre ser bom e ser bobo


A diferença entre ser bom e ser bobo


Bom dia amigos

Algumas pessoas pensam que por você ser bom, buscar alcançar a iluminação e evoluir na jornada terrena, ajudando ao próximo, sempre servindo,tentando policiar-se de suas fraquezas e etc... Algumas pessoas pensam que por você falar de paz, amor que você tem que ser bobo.

Vamos ver se vocês conseguem me entender,

Uma pessoa está sempre doando seu tempo tentando ajudar ao próximo colegas e de mais, muitas vezes essa pessoa se esquece até de si mesma apenas para ajudar a resolver problemas alheios , enquanto isso alguns que pedem as mãos querem também os pés e montam...

Essa pessoa na sua opinião que me lê é boa ou boba, até para não dizer otário?

Peço apenas que reflitam sobre ser bom e se deixar montar pelos outros.

Conheci um rapaz que ajudou um amigo a conseguir emprego na empresa onde ele trabalha, mais tarde o tal amigo lhe tomou o cargo , esperto o amigo e inocente o que o ajudou a entrar na empresa, até porque ele não esperava por essa.

Não sou cristã mais conforme eu já falei por ser eclética posso fazer uso de alguns textos de outras crenças desde que me ajudem a me elevar. Vocês acham mesmo que Jesus por pregar o Amor e a Paz e por se deixar crucificar ele era bobo? Seguindo o folclore bíblico, vejam bem, não acredito em terça parte da bíblia mais me faço quando necessário valer de alguns textos lá para me fazer entender por pessoas adeptas ao cristianismo. Então , alguém que sabe que mais tarde tem o Don de ressuscitar pode tranquilamente se deixar ser morto, ou seja , de bobo não tem nada ;) Até porque sabemos como tal fato chamaria a atenção do povo.

A natureza é boa, ela nos da o alimento é a nossa casa, mais ela também se vinga.

Vocês já viram aqueles filmes de bang bang onde os americanos invadem as aldeias dos índios estupram suas filhas e mulheres e depois os índios que são passivos lá nas terras deles são obrigados a revidar? Alguém aqui assistiu o filme Avatar? Pois bem, aqueles seres que mal faziam para que a raça humana chegasse lá no planeta deles e fossem destruindo tudo?

Eles eram bons, mais tiveram de revidar...

Quem nunca assistiu ao Senhor dos Anéis, onde quando até o ser de mais elevada Luz como Elfos ao se aproximarem do anel viam aflorar seu lado mais obscuro.

Por tanto meus amigos, o beme o mau não pode existir um sem o outro, isso aprendi nas aulas de cabalá, imaginem um ser totalmente passivo e bonzinho onde todos fazem dele o que querem? E ssa pessoa não tem um pingo se quer de malicia para se defender...

Agora imaginem um ser totalmente mau, que mata, estupra, roupa, mente, trapaceia e etc...

Temos de reconhecer nossas falhas para que possamos trabalhá-las dentro de nós, exaltar nossas qualidades é muito fácil difícil é assumir nossas fraquezas .

Voltando a diferença entre ser bom e ser bobo na minha visão é isso, você pode ser bom, está em comunhão com o criador , buscando sua evolução , agora não confunda bondade com ser bobo nem deixe os outros te fazerem de trouxa.

Até a próxima

Sarah ( witch Crow )

quarta-feira, 14 de abril de 2010

4. TEORIA DA CULTURA E A PRÁTICA DA CULTURA KALDERASH.



No GT Culturas Ciganas até agora nunca foi discutido e definido o
conceito de cultura a ser usado pelo GT. Obviamente todos, ciganos e
não-ciganos, sabem de que se trata. Mas será que sabem mesmo? Quando
professor na UFPB em João Pessoa falava sobre o conceito de cultura,
as teorias da cultura, dinâmica cultural, etnocentrismo e relativismo
cultural durante várias semanas. Não posso fazer isto hoje em apenas
meia hora. Por isso vou me limitar ao mínimo póssível.

A primeira definição de cultura é a de Tylor (1871): "aquele todo
complexo que compreende o saber, a crença, a arte, a moral, o
direito, o cos tume e quaisquer outras qualidades e hábitos adquiridos
pelo homem na sociedade". Depois surgiram centenas de outras
definições de cultura, mas que aqui não pretendo nem posso
reproduzir, a não ser a definição mínima de Herskovitch: cultura
é "as coisas que a gente tem, faz e pensa" (1948).

Das inúmeras teorias sobre cultura quero destacar apenas quatro:

a) a cultura é dinâmica; nenhuma cultura é completamente está tica. A
mudança é o resultado, principalmente, do contato entre sociedades
com culturas dife rentes.

Portanto, não é possível, nem desejável, impedir mudanças nas
culturas ciganas e exigir que continuem fiéis a antigas e
ultrapassadas tradições e costumes. Cigano hoje em dia tem computador
com internet e email, viaja de avião, se hospede em hotel, paga suas
contas com cartão de crédito, tem celular, etc. É uma questão de
sobrevivência. E os brasileiros, graças a deus, hoje não têm mais a
mesma cultura que tinham seus antepassados nos séculos 16 e 17. Da
mesma forma, também as culturas ciganas mudam, se transformam, se
atualizam, mas nem por isso deixam de ser culturas ciganas. Serão
apenas culturas ciganas diferentes das culturas ciganas de
antigamente.

b) ninguém conhece todas as particularidades de sua cultura (e menos
ainda das culturas alheias). Em cada cultura encontramos universais,
alternativas e especialidades. - universais: os elementos culturais
comuns a todos os membros adultos normais da socie dade; -
especialidades: os elementos culturais compartilhados por membros de
certas categorias socialmente reconhecidas de indivíduos, mas não
compartilhados pela população total, p.ex. militares, religiosos,
políticos, juristas, operários, camponeses etc. Ou, no nosso caso,
índios, afro-brasileiros ou ciganos; - alternativas: padrões
culturais que podemos escolher numa determinada situação (p. ex. te
mos que nos vestir, mas o tipo, a cor da roupa é nossa escolha).
Quanto mais desenvol vida a cultura, maior o número de alternativas.
Nas sociedades simples, o número de alterna tivas é limitado. Não é
mais o caso nas sociedades ciganas.

Ou seja: nenhum cigano e nenhuma cigana conhece toda a sua cultura, e
menos ainda a cultura dos outros grupos e sub-grupos ciganos. O que
então fazer para conhecer melhor a sua própria cultura cigana e as
culturas de outros grupos ciganos? Simples: contrate alguns
especialistas em estudar outras culturas, e estes especialistas se
chamam "antropólogos", que receberam (ou deveriam ter recebido, mas
no Brasil quase nunca recebem) um treinamento especial, no qual
aprenderam métodos e técnicas de pesquisa que lhes habilitam executar
esta tarefa. Obviamente existem antropólogos que são bons
pesquisadores, e outros nem tanto. Nem todo antropólogo tem vocação
para a pesquisa de campo em sociedades com culturas diferentes,
inclusive em sociedades ciganas. E sabemos que vários não-
antropólogos – por exemplo: jornalistas e literatos – mostraram uma
excecelente capacidade de pesquisar ciganos.

Nas ofertas de emprego quase sempre exige-se "experiência anterior de
2 anos" ou até mais. Portanto, recomendo aos ciganos e ao GT Culturas
Ciganas contratar somente antropólogos com comprovada experiência em
pesquisa de campo, não importa que seja entre índios, em quilombolas,
ou em favelas, ou que sejam peritos em pesquisar prostitutas, michês,
gays, lésbicas e simpatizantes. Conforme se vê, os antropólogos (e as
antropólogas) são plurivalentes! A experiência é comprovada pelas
publicações do antropólogo sobre o povo/ comunidade/ minoria étnica,
social ou sexual por ele ou por ela pesquisado. Se o antropólogo
nunca publicou coisa alguma, ou se nem sequer pode apresentar ensaios
inéditos, não o contrate.

c) devemos distinguir a cultura ideal da cultura real: ou seja, a
teoria/a ideologia, aquilo que se pensa, aquilo que se deve fazer, e
a prática, aquilo que na realidade se faz. Nem sempre (quase nunca)
se segue as regras, as normas ideais. Poderia agora citar inúmeros
exemplos PTistas, mas estes todo mundo já conhece. Portanto, permitam
apenas alguns exemplos ciganos.

- os ciganos afirmam que "os ciganos só casam entre si",
geralmente alegando que é para preservar a pureza da "raça". Mas na
realidade, principalmente entre os Rom, inúmeros ciganos são casados
com não-ciganas, e inúmeras ciganas são casadas com não-ciganos. Até
sua Alteza Mirian Stanescon é casada com um não cigano, com o qual
pariu quatro filhos/filhas que, pela tradição cigana ainda hoje
existente, são classificados(as) como bastardos(as) não ciganos(as),
já que o pai é um não-cigano. A descendência dos filhos ciganos se dá
pela linha paterna. Ou seja, só é cigano quem tiver um pai cigano. Ou
seja, após a morte da Mirian a suposta e fajuta dinastia real
Stanescon deixará de existir, porque nenhum filho ou nenhuma filha
lhe poderá suceder. Porque ela não pensou neste problema antes de
casar com um não-cigano?

- os ciganos afirmam que as ciganas casam cedo, por volta dos
15 anos, quando fazem, obrigatoriamente, o teste da virgindade, cujo
resultado é exibido em público. A sua Alteza Mirian Stanescon casou
aos 32 anos de idade, com um não-cigano. Confesso não saber se a
Mirian Stanescon, segundo a tradição cigana kalderash, também aceitou
submeter-se ao teste de virgindade, e qual o resultado. É possível
que se trate de um teste obrigatório apenas para as jovens súditas
ciganas plebéias, mas em hipótese alguma para velhas princesas da
realeza cigana. Também nunca saberemos porque sua Alteza Mirian
Stanescon, antes dos 32 anos, nunca encontrou um cigano que quisesse
ou pudesse casar com ela, até ela finalmente encontrar um não-cigano.
Tenho algumas teorias sobre este fato, mas prefiro não falar disto
hoje, porque ela já sofreu e ainda vai sofrer demais. O pior ainda
virá daqui a pouco.

- por causa deste "teste de virgindade", os ciganos afirmam
que não existe prostituição de crianças, adolescentes e mulheres
ciganas, nem existem cafetinas ciganas. Mas já foi comprovado que em
Sousa, Paraíba, esta prostituição existe, e deve existir em não sei
quantos outros ranchos ciganos, do Norte ao Sul, e também deve
existir, e como deve existir, inclusive entre os Kalderash no Rio de
Janeiro, onde também devem existir cafetinas que prostituem crianças
e adolescentes ciganas. A Mirian Stanescon deve entender muito deste
assunto já que nega sistematicamente a existência de cafetinas
ciganas que prostituem crianças, adolescentes e mulheres ciganas.
Será que também a Mirian ..... não isto é algo impossível!

- os ciganos afirmam que "os ciganos podem até roubar os não-
ciganos, mas nunca um cigano rouba outro cigano". Mas numa reportagem
de conhecido jornal carioca, a jornalista Claudia Mattos, em 3 de
janeiro de 1996, divulgou a seguinte notícia: "Segundo Jarco
Stanescon, primo em segundo grau de Miriam, ela teria participado de
um assalto à casa de seus pais em 1979, quando foram roubados US$ 8,5
milhões em ouro, e de ter sequestrado um filho seu por seis dias".

- Obviamente, Mirian Stanescon negou tudo, alegando que não
foi apresentada queixa na delegacia. O que é evidente, porque o Jarco
Stanescon tinha um filho sequestrado pela quadrilha da Mirian, não
sei com quais ameaças se o pai apresentasse queixa. E além disto na
Delegacia a família do Jarco Stanescon teria que explicar a origem
deste ouro, e porque nunca foi declarado na relação de bens do
imposto de renda, conforme sua Alteza Mirian, talvez já então
estudante ou até já formada em direito, bem sabia e deve ter
explicado ao querido primo. Portanto, era melhor ele calar a boca.
Até prova em contrário, sua Alteza e Princesa Mirian Stanescon desde
1979 é, ou era, membro de uma quadrilha de assaltantes e
sequestradores que aqui, provisoriamente, chamarei o 1º CCC – o
Primeiro Comando Cigano da Capital. Mas, a verdade deve ser dita,
parece que só assaltavam e sequestravam outros membros da própria
família Stanescon ou outros kalderash. Ainda bem. Segundo informação
de um cigano rom muito amigo meu, e também já bastante careco de
saber de tudo isto, existe hoje também o 2º CCC – o Segundo Comando
Cigano da Capital - , mas este em São Paulo, especializado em
assaltar outros ciganos. Obviamente, os membros são ciganos
kalderash – sempre kalderash.

Não pretendo citar outros exemplos ciganos e de sua cultura ideal e
real. Mas no mundo cigano a cultura ideal nem sempre, quase nunca, é
a cultura real. Como também não é no mundo não-cigano.

Para terminar: francamente, falando como não-cigano, não vejo nenhuma
necessidade ou utilidade de ter uma "princesa kalderash" chamada
Mirian Stanescon como membro efetivo deste GT Culturas Ciganas,
acusada, pelos próprios ciganos e por sua própria família, de ser, ou
de ter sido, assaltante e sequestradora, como todos os ciganos do Rio
de Janeiro sabem. E no Rio de Janeiro nem sequer é mais considerada
cigana pelos próprios ciganos. Mas esta é uma questão que os próprios
ciganos terão que resolver. Sem a interferência, e sem os votos, dos
membros da SEPPIR ou do Ministério da Cultura, ou de outros não-
ciganos, como eu. Sua Alteza Mirian Stanescon já propôs excluir os
Calon. Que tal os Calon aqui presentes agora proporem e exigirem a
exclusão deste GT, para sempre, da fajuta princesa e futura rainha
Mirian Stanescon, que tanto odeia os Calon, a ponto de os declarar
não-ciganos? Certamente os Calon, que são ciganos decentes, pacíficos
e não etno-egocêntricos, não vão fazê-lo, porque isto não faz parte
da cultura deles.

Por isso, como não estou acostumado a conviver em GT´s com membros de
quadrilhas criminosas kalderash, anuncio agora, oficialmente, meu
desligamento definitivo deste GT Culturas Ciganas. Ao Secretário
Sérgio Mamberti e aos outros membros do Ministério da Cultura, como
também aos membros da SEPPIR, agradeço a confiança que, por motivos
que ignoro, depositaram em mim. Espero que este GT tenha muito êxito
no futuro. Aos amigos e às amigas Calon aqui presentes, que só
conheci em 2006, e ao há mais de dez anos meu grande amigo
matchuwaia Claudio Iovanovitch, um último grande abraço.

3. CIGANOLOGIA OU ROMOLOGIA?



Ainda na Introdução do meu livro escrevo: "De todos os ciganos, os
Rom são os mais estudados e descritos. Isto porque estes ciganos, e
entre eles principalmente os Kalderash – inclusive no Brasil - ,
costumam considerar-se a si próprios "ciganos autênticos", "ciganos
nobres", e classificar os outros apenas como "ciganos espúrios", de
segunda ou terceira categoria. Como antropólogos e linguistas tendem
a estudar de preferência povos "autênticos", que ainda conservam sua
cultura e língua tradicional, a quase totalidade dos estudos ciganos
trata de ciganos Rom e praticamente nada se sabe dos outros grupos.
(...)

"Este "rom-centrismo", dos próprios ciganos e dos ciganólogos, faz
Acton falar até de "romólogos" que, em lugar de analisarem as
diferenças culturais entre os grupos ciganos, apresentam um modelo
ideal como se os ciganos formassem uma totalidade homogênea. Segundo
este sociólogo, "A grande falha da literatura sobre ciganos, oficial
e acadêmica, é a supergeneralização; observadores têm sido levados a
acreditar que práticas de grupos particulares são universais, com a
concomitante sugestão que [os membros de] qualquer grupo que não têm
estas práticas não são "verdadeiros ciganos".

"Ou seja, a cultura rom passa a ser considerada a "autêntica" cultura
cigana, a cultura "modelo". E quem não falar a língua como eles, quem
não tiver os mesmos costumes e valores ..... bem, estes só podem ser
ciganos de segunda ou terceira categoria ....... Entende-se assim
porque a quase totalidade dos livros de ciganólogos que tratam
genericamente da suposta "Cultura Cigana", na realidade descrevem
apenas ou quase exclusivamente a cultura dos ciganos Kalderash que
durante séculos viveram nos Balcãs – na atual Romênia na qualidade de
escravos, libertos somente na segunda metade do Século XIX – onde
desenvolveram uma cultura fortemente influenciada pelas diversas
culturas nacionais, em especial a romena".

A pomana (rituais fúnebres), a kris (espécie de tribunal de justiça
local) e o conceito de marimhé (sobre pureza/impureza das mulheres),
por exemplo, são comprovadamente de origem da zona rural romena.

"Nas palavras de Acton: "[Os ciganos] são um povo extremamente
desunido e mal-definido, possuindo uma continuidade, em vez de uma
comunidade, de cultura. Indivíduos que compartilham a ascendência e a
reputação de "cigano" podem ter quase nada em comum no seu modo de
viver, na cultura visível ou na língua. Os ciganos provavelmente
nunca foram um povo unido".

Por este, e vários outros motivos, que não analisarei agora, pouca
coisa se sabe sobre as culturas ciganas, inclusive no Brasil. E
principalmente por causa dos próprios ciganos, muitos dos quais se
recusam a dar informações sobre a sua cultura. A cigana brasileira
Jordana Aristicht, p.ex., declara: "É inadmissível que um não-cigano
venha a conhecer mais as nossas tradições, hábitos e costumes do que
nós mesmos". Ou então acham que os antropólogos e ciganólogos não-
ciganos são incapazes de estudar e entender a sua cultura, são uns
alienados ignorantes que só dizem inverdades quando não mentiras
propositais, como tem várias vezes aqui dito a Mirian Stanescon que
se considera a única e verdadeira conhecedora da cultura cigana no
Brasil, porque a cultura Stanescon, obviamente, deve ou deveria ser a
cultura de todos os ciganos no Brasil.

Acontece apenas que a Mirian Stanescon é o que os ingleses, numa
palavra bem curta e intraduzivel, chamam de uma "un-rom". E durante
toda sua vida a Mirian se comportou como uma "un-rom". Acredito que
daqui a pouco quando falarei da cultura ideal e da cultura real, da
cultura teórica e da cultura prática, este "un-rom" ficará mais
claro. Significa, mais ou menos, que alguém de fato é e se diz
cigano, mas não age como cigano e até contraria quase todos os
valores culturais ciganos. Como, comprovadamente, a princesa e futura
rainha cigana Mirian Stanescon tem feito durante toda sua vida, e
provavelmente ainda faz. Até o fato de auto-denominar-se "princesa
cigana kalderash" é "un-rom". E é por causa disto que, conforme
informações que recebi de vários ciganos, a quase totalidade dos
ciganos do Rio de Janeiro não a considera mais uma cigana. De "um-
rom" virou "não-rom".

Pergunto então: se a etno-egocêntrica e ego-idólatra Mirian Stanescon
não é nem mais considerada cigana pelos próprios ciganos kalderash (a
não ser pelos membros de sua própria família nuclear ou extensa), o
que justifica ainda a sua presença aqui, neste GT Culturas Ciganas?

Para ela, o que os outros – inclusive ciganos, mas principalmente não-
ciganos como eu - escrevem ou dizem, é apenas lixo, mentira,
inverdade, fantasia, invenção. Para ela os ciganos, imaginem só, são
originários do Egito; para ela os ciganos brasileiros nunca foram
traficantes de escravos; para ela é impossível no Brasil existirem
prostitutas ciganas ou cafetinas ciganas que prostituem crianças e
adolescentes ciganas. Inclusive deve ser mentira tudo que já
escreveram muitos ciganos dos Estados Unidos (como o professor
universitário Ian Hancock e outros) ou da Europa (o deputado cigano
Juan de Dios Ramirez-Herédia, o antropólogo cigano Antônio Torres e
outros), ou aqui no Brasil, a bela ex-modelo Jordana Aristicth, a
primeira cigana brasileira a escrever um livro sobre seu povo, em
1995 [Ciganos: a verdade sobre nossas tradições], ou ciganos como o
já falecido médico Oswaldo Macêdo [Ciganos: natureza e cultura], o
kalderash mineiro Hugo Caldeira [A bíblia e os ciganos], Sally
Esmeralda Liechocki [Ciganos: a realidade]. A Mirian Stanescon
certamente tentará reduzir a pó a ciganidade ou a credibilidade dos
ciganos brasileiros citados, mas nunca saberá reduzir à pó a
ciganidade de famosos escritores, professores ou deputados ciganos
europeus ou americanos.

2. REIS E RAINHAS KALDERASH.



Mas será que realmente existem reis ciganos? Todos os ciganólogos
ciganos e não-ciganos são unânimes em dizer que não, e que na
organização social e política dos ciganos não há espaço para estas
figuras ridículas.

Em 2002 publiquei um artigo no nº 18 da revista Insight/Inteligência,
com o título "Dos reis ciganos aos presidentes da Nação Romani"
(pp.123-130). Neste artigo cito alguns indivíduos que, nos anos
1930/40, se auto-proclamaram "rei cigano", sendo que o Rei Miguel II
queria criar um estado cigano na Índia; o Rei José pretendia obter um
território cigano no sul da África, e o Rei Janusz pediu a Mussolini
um território na Abissínia. Obviamente não conseguiram nada. O Rei
Janusz virou cinza no campo de concentração de Auschwitz. Todos eles
pertenciam à família kalderash Kwiek. O estranho fenômeno foi
estudado por Ficowski e parece que suas conclusões são válidas ainda
hoje, inclusive no Brasil. Afirma ele: "Cada aspirante ao trono
cigano agia não somente nos seus próprios interesses, mas também para
consolidar e reforçar a posição de seu grupo familiar. (...) Com isto
abriam-se para estes pretensos reis kalderash muitas oportunidades
para oprimir e explorar seus súditos ....O trono cigano tornou-se
extremamente lucrativo".

Em 1992 surgiu um outro kalderash – sempre kalderash – com pretensões
reais, o romeno Ion Cioabha. O Ion auto-proclamou-se Rei dos ciganos
da Romênia, mandou fazer uma corôa de ouro (outros dizem que ele
alugou uma corôa, um cetro, um trono e uma indumentária de rei estilo
Luis XIV na ópera local) e alugou a igreja ortodoxa de Sibiu para uma
elaborada cerimônia de coroação. Mas um primo dele, Iulian Radulescu,
não gostou e auto-proclamou-se Imperador de todos os Ciganos.
Conforme se vê, tantos reis e imperadores ciganos kalderash, e sempre
apenas kalderash, dariam para lotar uma ala inteira de um hospício,
junto com os "Napoleões Bonapartes" não-ciganos. No final desta parte
do artigo informo ainda:

"Apesar de não ter a mínima relevância ou utilidade prática para os
ciganos brasileiros, não posso deixar de mencionar pelo menos uma
dinastia com utópicas pretensões "reais" também no Brasil. A revista
avulsa "Magia Cigana", de 1992, apresenta um retrato multicolorido
da "família real por herança" Stanescon, obviamente kalderash, e
aparentemente com pretensões de perpetuar esta sua "realeza" dourada:

"No final do século passado, o Rio de Janeiro recebia um cigano da
tribo kalderash chamado Nicolas Stanescon (ou Rhitsa). Ele vinha
chefiando cerca de sessenta famílias e mais tarde, na época da II
Guerra, trouxe outras 35. Respeitado por seu povo, tornou-se uma
espécie de rei – um prestígio que, ao morrer, transferiu à esposa,
Yordana. Dessa forma começava uma fase de lideranças femininas no clã
comandado pelos Stanescon, que perdura até hoje. Com a morte de
Yordana, considerada uma rainha, o "poder" passou para a sua filha
mais velha, Lhuba Stanescon, que ainda o exerce. Mas já tem
herdeira certa: a filha mais velha, Mirian Stanescon Batuki
Siqueira ......... " .

"Já vimos que na Europa existiram autoproclamados "reis ciganos", que
todos tiveram um fim melancôlico, mas nunca uma "rainha", algo
inconcebível numa sociedade patriarcal e machista como é a sociedade
cigana .... Falar de "rainhas ciganas" é como falar de cachaça sem
álcool.

"Não há registro de que estes auto-proclamados reis e rainhas do clã
Stanescon tenham proposto ou feito algo em benefício de todos os
ciganos brasileiros, a quase totalidade dos quais ignora por completo
a existência desta "realeza" brasileira, que existe apenas na
fantasia da própria "rainha" e de seus familiares".

Termina aqui a parte do meu artigo que trata de reis e rainhas
kalderash, publicado pela revista Insight/Inteligência que se auto-
intitula "a melhor e menos conhecida revista do Brasil". Mas
certamente é conhecida no Ministério da Cultura. Pouca gente, apenas
algumas mil pessoas, devem ter lido este meu artigo, que também está
disponível na internet.

Lembro que na capa de um livro publicado pela Mirian Stanescon, em
1999, ela se auto-intitula "princesa cigana kalderash", ou seja,
filha de um rei ou de uma rainha kalderash. Freud explica.

Do etno-egocentrismo à ego-idolatria é apenas um pequeno passo e
Mirian Stanescon chega a um ponto que até Freud teria dificuldade de
explicar. Por achar que todos os baralhos ciganos hoje existentes são
uma porcaria, ela inventou um novo baralho, Lila Romaí, "o verdadeiro
oráculo cigano". Ou seja, todos os outros não são verdadeiros.
Neste "verdadeiro", e obviamente único verdadeiro, oráculo cigano,
publicado no seu livro de 1999, a primeira carta apresentada é a
de "Chaule Dieuleske – O Filho de Deus", que vem a ser "a mais
importante das cartas do baralho cigano". E quem está representado
nesta carta? Jesus e ela mesma, a Mirian! Ela informa: "Retratei a
imagem de Jesus Cristo de acordo com a visão que tive aos quatorze
anos: a menina ajoelhada aos seus pés sou eu com uniforme do Colégio
Afrânio Peixoto, onde eu estudava. Confesso que na época não entendi
direito o que Ele queria dizer ao mostrar-me Seu coração apontando a
pomba branca no vitrô da Igreja de Santo Antônio, em Nova Iguaçú".
Ou seja, a Mirian teve contato pessoal com Jesus. Bem, o significado
da tal pomba, Freud saberia explicar muito bem.

Não sei por que Nova Iguaçú não se transformou então numa nova
Fátima, ou numa nova Lourdes, com a santa cigana Mirian falando
diretamente com Jesus, em não sei quantas outras visões, e com altos
lucros para seus familiares: fotografias, estatuetas da Mirian em
gêsso (diversos tamanhos, em branco ou coloridas), medalhinhas,
camisetas, bonés, velas, e não sei o que mais, tudo abençoado pela
santa Mirian. Além de cobrando caríssimo por entrevistas ou para
pessoas que pessoalmente quisessem tocar a santa Mirian.
Infelizmente, o milagre não aconteceu. Talvez faltasse uma virgem
Maria no baralho da santa cigana Mirian. Um erro imperdoável, até
para Jesus.

OS KALDERASH E OS "OUTROS CIGANOS"

OS KALDERASH E OS "OUTROS CIGANOS"

OS KALDERASH E OS "OUTROS CIGANOS"; REIS E RAINHAS KALDERASH;
CIGANOLOGIA OU ROMOLOGIA?; TEORIA DA CULTURA E A PRÁTICA DA CULTURA
KALDERASH.

Frans Moonen

Antropólogo e Ciganólogo



1. OS KALDERASH E OS "OUTROS CIGANOS".

Logo na "Introdução" do meu livro sobre ciganos na Europa escrevo
que: "Muitos ciganólogos têm observado que os Ciganos Rom, e entre
eles em especial os Lovara e os Kalderash, costumam auto-classificar-
se como autênticos, verdadeiros, nobres, aristocratas, de primeira
categoria, sendo todos os outros apenas ciganos espúrios ou falsos
ciganos. Infelizmente, esta atitude discriminatória (dos próprios
ciganos) é assumida também por muitos gadjé (não-ciganos) que
realizam estudos ou trabalhos práticos entre os ciganos, ou por
legisladores ou membros de organizações ciganas e pró-ciganas", ou,
como acrescentaria hoje, em GT´s sobre Culturas Ciganas. E mais
adiante concluo: "Quanto à suposta autenticidade e aristocracia dos
Kalderash ou Lovara, subscrevo a afirmação de Williams que considera
inadmissível a distinção entre "verdadeiros" ciganos, aos quais se
atribue uma origem exôtica e riqueza cultural, e "os outros", que
seriam apenas marginais no mundo cigano. Ou seja: não existem ciganos
autênticos e ciganos espúrios: os Rom, Sinti e Calon possuem inúmeras
auto-denominações, falam centenas de línguas ou dialetos, têm os mais
variados costumes e valores culturais, são diferentes uns dos outros,
mas nem por isso são superiores ou inferiores uns aos outros".

No Brasil, os Kalderash chegam até a negar a ciganidade dos Calon.
Carlos Hoffman, na sua dissertação "A alma roubada", de 1992, informa
que teve contato com Kalderash no sul do país, e um deles lhe
disse: "Nós somos Kalderash .... Nos Mordovais e nos Korashano os
homens são vadios e somente as mulheres trabalham com quiromancia. E
os Calons não são ciganos". Ao que Hoffman acrescenta: "Penso que os
ciganos (Kalderash) são mais que etnocêntricos, eles são etno-
egocêntricos. Isto porque, nos diversos momentos em que os observei,
são suas idéias ou intenções que devem prevalecer sempre, não
importando as do "outro"" (p.32).

Lamentavelmente, no dia 21 de fevereiro de 2006, dia do lançamento
oficial do GT Culturas Ciganas, pelo Ministério da Cultura, em
Brasília, pude observar pessoalmente que esta atitude abominável
também existe em outras partes do Brasil. À noite, quando cerca de
dez participantes estavam jantando no restaurante do seu hotel (com a
presença inclusive da Sra. Oraida Abreu, da SEPPIR), a rom-kalderash
Mirian Stanescon chegou a propor ao rom-matchuwaia Claudio
Iovanovitch que os Calon fossem excluídos do GT Culturas Ciganas,
porque estes não são, ou não seriam mais, ciganos. Seriam apenas uns
vagabundos se dizendo "ciganos". E isto na presença de vários Calon.
A idéia foi imediatamente rejeitada por Claudio Iovanovitch que
afirmou que também os Calon são ciganos e em hipótese alguma poderiam
ser excluídos.

Sei, pelo experiência própria, que em Curitiba o Claudio Iovanovitch,
meu amigo há mais de dez anos, sempre defendeu também os Calon. Mas
a auto-proclamada "princesa cigana kalderash" e futura "Rainha dos
ciganos do Brasil", Mirian Stanescon continuou exigindo a exclusão
dos Calon. Ou seja, queria excluir os já excluídos brasileiros
ciganos calon. A suposta "realeza" de Mirian Stanescon explicarei
daqui a pouco, mas também contarei que, além de "princesa", também já
foi outras coisas na vida.

Esperava que no dia 16 de março, logo no início da 1ª Reunião do GT
Culturas Ciganas, este fato fosse denunciado por algum dos ciganos
presentes, mas isto não aconteceu. E neste GT sou apenas um humilde e
insignificante "colaborador eventual" não-cigano, que a qualquer
momento pode ser descartado, e certamente logo será descartado após o
que vou falar hoje. Na tarde do dia 16 de março não tinha mais
sentido eu, pessoalmente, falar do assunto, porque a reunião se
esvaziou cedo, inclusive com a retirada de Claudio Iovanovitch. Por
isso o faço hoje, porque considero o fato de extrema gravidade.
Porque se, algum dia, os Calon forem excluídos, será o fim deste GT.

Os Kalderash são tão arrogantes, e tão pedantes e etno-egocêntricos,
que somente entre eles surgiram alguns indivíduos se auto-
proclamando "Rei dos Ciganos" e, imaginem só, até um "Imperador de
todos os Ciganos", e até uma "Rainha dos ciganos do Brasil".

Devemos prever o futuro?

http://www.abril.com.br/imagem/bola-cristal-cigana.jpg

Meus queridos amigos gostaria de abordar aqui um tema que tem muitas controvérsias,

Até que ponto nos é permitido adentrar na esfera do tempo e prever o futuro.

Imaginem que se fosse para saber o dia de amanhã nós já acordaríamos com todo um roteiro do que ia nos acontecer ao longo do dia, já dizia o grande mestre Jesus:

"Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal." Mt 6:34

Por tanto meus amigos eu vos levo a fazer uma reflexão a respeito da consulta de oráculos de forma viciosa, posso citar aqui inúmeros casos de pessoas conhecidas que não passavam um só dia sem consultar as cartas e que tiveram suas vidas arruinadas, não conseguiam tomar uma decisão se quer sem antes consultar algum tipo de oráculo.

Os oráculos só devem ser consultados em casos extremos ou para pedir uma direção.

Vou pegar como exemplo a meteorologia onde se é feita a seguinte previsão do tempo:

Tempo no Momento :Temperatura: 26°C,Pressão:1022hPa, Direção do Vento: NNE Intensidade do Vento: 8nós,Condição: Muitas nuvens ,Umidade: 74% ,Visibilidade: 9999 .

Mais assim como o tempo pode mudar a qualquer momento, o futuro também não está definido, isso porque temos o nosso livre arbítrio. Então dizer que previsões de futuro são uma ciência exata seria burrice, e quem vive do dia de amanhã, não planta nada no presente. Ficar sentado(a), fazendo previsões para saber se amanhã vai ou não arrumar um namorado pode até atrasar a chegada do mesmo em seu destino ou mesmo cortar coisas que estão por vir, deixa ver se consigo me fazer entender.

A atmosfera para se ler a sorte e tanto quem vai fazer a previsão devem está o mais limpo possíveis , ao dispor as cartas, búzios ou qualquer outro oráculos abrimos portas e janelas por onde passam todos os tipos de energias, podendo ser uma passagem fácil aos zombeteiros, muitas vezes algo de muito rui que não era para acontecer na vida daquela pessoa acaba acontecendo porque ela foi mexer onde não devia, entendem? Espíritos atrasados podem fazer com que aquilo que está sendo mostrado aconteça , é por esse motivo que a pessoa que dispõe do oráculo deve ser alguém que mantém a mente limpa e em constante estado de vigília , para não se deixar influencia por interferências astrais. Alguém aqui vai ao médico todos os dias fazer diagnósticos da saúde? Claro que não, é a mesma coisa, consultar os oráculos meus amigos só em casos extremos e mesmo assim cientes de que tudo pode mudar de acordo com seus pensamentos. É claro que pessoas que vivem de dar consultas com oráculos podem não gostar muito do que estou falando, mas falo isso porque tive clientes meus que vinham em minha casa toda semana, e tive que chegar para essa pessoa e dizer: “Fulano, não há a necessidade de você vir aqui me pagar para abrir cartas para você toda semana, até porque nem mesmo tempo você deu para que as profecias sem cumprissem.” Se eu fosse outra poderia até achar muito bom, toda semana ter aquele dinheiro das consultas que dava garantido, mas não achei que isso seria honesto para com aquela pessoa.

Então tomem cuidado e estejam alertas para não se tornarem escravos dos oráculos porque isso é pior que masturbação.

Autora

Sarah Crow ( witch Crow )
PAX DEORUM