sábado, 4 de dezembro de 2010

"esvazie sua xícara primeiro, só então você poderá provar meu chá. afinal de contas a utilidade da xícara está em poder esvaziar-se. abra sua mente para receber novas idéias."
bruce lee


domingo, 7 de novembro de 2010

Não faça fofoca!!!



Acredito que existem pessoas que simplesmente não entendem o real sentido da liberdade de expressão (que ao meu ver...para muitos deveria ser: Liberdade de inexpressão) ...
Tem gente que não perde a oportunidade de ficar calado(a), parece que a lingüinha coça pra fazer um pequeno comentário (muitas vezes MALDOSO) ... Fala sério ...Cristo nos ensinou a ser tardios ao falar (Tg 1.19) Aqui eu não prego uma religião, mas em olhar para o nosso semelhante, colocar-nos no lugar dele, encará-lo como nós...seres passivos de erros....

Essa mensagem abaixo de Sócrates é simplesmente perfeita... Se metade das pessoas viesse a praticá-la, a humanidade seria melhor...

As Três Peneiras de Sócrates

Um homem foi ao encontro de Sócrates levando ao filósofo uma informação que julgava de seu interesse:
- Quero contar-te uma coisa a respeito de um amigo teu!
- Espera um momento – disse Sócrates – Antes de contar-me, quero saber se fizeste passar essa informação pelas três peneiras.
- Três peneiras? Que queres dizer?
- Vamos peneirar aquilo que quer me dizer. Devemos sempre usar as três peneiras. Se não as conheces, presta bem atenção. A primeira é a peneira da VERDADE. Tens certeza de que isso que queres dizer-me é verdade?
- Bem, foi o que ouvi outros contarem. Não sei exatamente se é verdade.
- A segunda peneira é a da BONDADE. Com certeza, deves ter passado a informação pela peneira da bondade. Ou não?
Envergonhado, o homem respondeu:
- Devo confessar que não.
- A terceira peneira é a da UTILIDADE. Pensaste bem se é útil o que vieste falar a respeito do meu amigo?
- Útil? Na verdade, não.
- Então, disse-lhe o sábio, se o que queres contar-me não é verdadeiro, nem bom, nem útil, então é melhor que o guardes apenas para ti.


Pense nisso:
"Pessoas inteligentes falam sobre idéias, pessoas comuns falam sobre coisas e pessoas medíocres falam sobre pessoas."

Não faça fofoca!!!

Na dúvida fale: "EU NÃO TENHO NADA COM ISSO!!!"

fonte:http://torosachoque.blogspot.com/2010_07_01_archive.html

sábado, 6 de novembro de 2010

O princípio do gênero

O princípio do gênero
Eunice Ferrari
http://ocantinhodalua.blogs.sapo.pt/arquivo/Pintura%20JC.%20Sol%20y%20Luna.jpg

"O Gênero está em tudo; tudo tem os seus princípios masculino e feminino; o Gênero se manifesta em todos os planos".
- O Caibalion -

O Sétimo e último Grande Princípio Hermético é o Princípio do Gênero. Todo o Universo é dividido entre as polaridades masculina e feminina, e não tem nada a ver com o sexo masculino e feminino.

Todos os fenômenos e todos os acontecimentos em todos os planos de vida têm esses dois gêneros contidos. A palavra gênero tem sua raiz latina que significa gerar, procriar, produzir.

É importante não confundir o gênero masculino e feminino com o sexo masculino e feminino, pois ambos, masculino e feminino, estão contidos em ambos os sexos. A energia masculina é a energia yang que está contida em tudo e em todos, e neste planeta, é caracterizada pelo seu lado ocidental.

A energia feminina é a energia ying, está contida também em tudo e em todos e é caracterizada pelo lado oriental do planeta. A grande tarefa do princípio do Gênero é a da Criação, pois é necessário o encontro das polaridades masculinas e femininas para a geração da vida.

Toda energia que existe no Universo é polarizada em dois aspectos: masculino e feminino. Esses aspectos, na verdade, são a mesma energia, só se diferenciando em seu gênero, mas na verdade são forças complementares, uma não existiria sem a outra. Podemos citar vários aspectos da energia ying e yang, só para que você, leitor, se familiarize um pouco mais com as energias:

Aspectos Ying (feminino) - Aspectos Yang (masculino)

Lua - Sol
Frio - Quente
Fêmea - Macho
Passivo - Ativo
Mole - Duro
Escuridão - Luz
Leve - Pesado
Úmido - Seco
Poroso - Denso
Oeste e norte - Leste e sul
Exterior - Interior
Água - Fogo
Abdômen - Costas
Frio - Febril
Molhado - Ressecado
Retraído - Avançado
Crônico - Agudo
Clima frio - Clima tropical
Expansão - Contração
Centrífugo - Centrípeto
Espaço - Tempo
Roxo - Vermelho
Vegetal - Animal

A energia feminina eleva-se da terra e cria a energia yang, em contrapartida a yang desce do céu e penetra na Terra, recriando a energia ying, ou seja, a direção do fluxo da energia ying é para cima e da energia yang é para baixo.

Quando as forças masculinas e femininas estão em equilíbrio, o fluxo é completo, ao contrário, quando há desequilíbrio, o fluxo é interrompido provocando a doença, tanto no nível pessoal quanto no Universal.

As forças masculinas e femininas do Universo são as forças que criam e recriam todas as coisas, não estando somente contidas nessas coisas. Portanto, o equilíbrio dessas duas forças resulta em harmonia, força, bem estar e saúde para toda humanidade.

PAX DEORUM

Lista Santa Sarah Kali

http://br.groups.yahoo.com/group/santasarahkali/

Companhia dos Gatos yahoo lista
http://br.groups.yahoo.com/group/companhiadosgatos/?yguid=118036214
Templo de Afrodite:

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Tudo que desejares a mim eu vos desejo em DOBRO!REDOBRADO! E TRIPLICADO! )0(

Que tipo de pessoas você está atraindo para a sua vida?


COMO ATRAIR AS BORBOLETAS Aprenda a cuidar do seu Jardim Interior

Quem me conhece bem sabe que eu adoro flores. Grandes, pequenas, coloridas. São lindas e trazem mais alegria e beleza aos ambientes que enfeitam. Faço questão de tê-las sempre por perto, tanto em casa quanto nas salas e auditórios pelos quais eu passo. E os meus jardins, ah como são mais belos quando estão floridos! Por isso opto sempre pelas plantas que florecem. Mas por mais lindo que possa parecer, só tenho a certeza de que que um jardim está mesmo deslumbrante quando este começa a receber a visita de certas incríveis criaturas: as borboletas. Elas parecem até seres fantásticos , um tanto mágicos , que chegam atraídas pela beleza e doçura das flores. Sinto um enorme prazer em observá-las em seu passeio , tão delicadas, traçando desenhos coloridos com as asas.
Nessas horas em que estou assim, olhando pela janela perdido em meus pensamentos , aprendo muito com a sabedoria da natureza. E o aprendizado do jardim é um dos meus preferidos. Ele nos faz parar para refletir sobre o tipo de pessoa que atraímos para a nossa vida. Tem gente que parece que tem mel, não é mesmo? Está sempre cercada de pessoas inteligentes, lindas, interessantes. Verdadeiras borboletas! Outros têm é dedo podre! Sabe como é? São os que só conseguem atrair para si gente chata, problemática, mesquinha.
E ninguém gosta de ficar ao lado de alguém negativo, que fala mal de todo mundo e só gosta de ver o lado rui das coisas. Se você é dessa segunda turma...
bem, acho que está na hora de começar a cuidar do seu jardim, né? Eu explico:
As pessoas que atraímos para a nossa vida refletem o nosso mundo interior. Nós já falamos muito sobre isso por aqui. Amigos que só sabem falar mal dos outros e despejar problemas em cima de você certamente estão se identificando contigo de alguma forma. E sabe o que é pior do que perceber que seus amigos são assim? É se dar conta de que você também é assim. Portanto, que tal começarmos a fazer uma limpeza geral nesse jardim aí de dentro? Então, vamos em frente.
Sabe, minha gente, a nossa alma é como um terreno fértil onde tudo que agente planta, dá. Bons sentimentos são como belas plantas que enfeitam e iluminam a alma. E eles também devem ser cultivados com carinho para que continuem crescendo. Só assim virão as flores, e com elas, as mais belas borboletas.
Você não precisará correr atrás delas , são elas que chegarão atraídas pelo que há de melhor dentro de você. Mas atenção: Cuidar do seu jardim deve ser um trabalho diário e constante. Basta um pequeno descuido para que ganhem força sentimentos negativos. E eles são como ervas daninhas que se alastram rapidamente , deixando a alma triste e sombria. E , assim, as borboletas desaparecem. Vão embora procurar um jardim mais belo, perfumado e bem cuidado.
Por isso, não descuide do seu jardim interior. Os bons sentimentos, estes sim , devem ser cultivados diariamente. Fique sempre atento ao que você sente, pensa e fala sobre a vida e sobre as pessoas. Nem sempre é fácil optar por enxergar o lado bom e belo das coisas. Mas o esforço, ah , esse eu garanto: vale à pena. Afinal , quem não gosta de borboletas?
Um forte abraço e até o nosso próximo encontro!

Luiz Gasparetto Digitado por Sarah Crow Retirado do Jornal SAMADHI

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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A DEUSA TERRA COMO DEIDADE SUPREMA



MÃE TERRA – DEUSA MÃE


Terra, Divina Mãe, que gera todos os seres e cria todas as coisas, cuja influência desperta, acalenta e adormece a natureza. Mãe que fornece a nutrição da vida e a protege com um abraço sustentador. Mãe amorosa que recebe o corpo do homem quando o seu espírito se afasta, chamada com razão a Grande Mãe, fonte de poder de deuses e mortais, indispensável para tudo o que nasce ou morre. Senhora, Mãe , Deusa eu A reverencio e invoco Seu sagrado nome para abençoar a minha vida, lhe agradeço pelas dádivas e por me receber no fim da minha jornada!


Prece inglesa do século XII



A reverência da Terra como Deusa Mãe era um costume universal e ancestral, tendo sido encontrado em todas as antigas civilizações e culturas, que A invocavam por nomes específicos e cultuavam de maneiras diversas.

O historiador romano Tácito afirmou nos seus livros que as tribos européias consideravam a Mãe Terra como uma divindade toda abrangente, a que todos os seres humanos, sobrenaturais e divinos obedeciam.O conceito de uma Mãe Terra foi definido pelos gregos, cujo poeta Hesíodo chamou a Terra de Gaia ou Gea, a Deusa com amplos seios, morada segura para todos os seres, que depois de emergir do caos primordial, criou o céu, Urano, e junto com ele procriou os Titãs, as montanhas e florestas, os campos, mares, rios e todos os seres vivos.Os romanos a chamaram de Tellus ou Terra Mater, a Grande Mãe, criadora dos homens, da natureza e dos animais.

A Terra tanto dava a vida, como propiciava e acolhia a morte, por isso os povos antigos da Ásia, África e América consideravam os enterros ritos de plantio, o espírito sendo regenerado no ventre da terra e depois renascendo em um corpo de mulher.Os nativos norte-americanos acreditavam que os seres humanos e os animais emergiam das aberturas no corpo da Mãe Terra, pois era no seu ventre que eles eram gerados. A doutrina central da religião ameríndia era a reencarnação em um novo corpo do espírito criado pela Mãe Terra, que por isso deveria ser respeitada, honrada e cuidada. Pinturas rupestres da Austrália e lendas dos nativos norte-americanos representam a Mãe Terra parindo os primeiros seres ancestrais, que saiam do Seu ventre ctônico pelas aberturas no solo como grutas e fendas. Na Índia os sacerdotes hindus falavam para os mortos se deixarem cobrir pela terra como se fossem crianças acolchoadas pelo manto materno, silencioso, escuro e macio.

Os filósofos romanos atribuíam à Mãe Terra o misterioso poder que despertava e sustentava a vida, tudo vindo Dela e a Ela retornando, pois ela era o começo e o fim, o nascimento e a morte. Preces romanas do século III pediam à Mãe Terra que recebesse o corpo quando a alma dele se retirasse e enquanto vivo, que o nutrisse e protegesse. Mesmo séculos mais tarde, nos túmulos cristãos da Alemanha se lia:"aqui jaz no ventre de Erda (a Mãe Terra) o corpo de...."; até o século XII os camponeses europeus continuavam invocando as bênçãos da Mãe Terra nos plantios, para que as colheitas fossem protegidas e abundantes e nas construções, para que elas durassem.

Para os povos eslavos Mayca Vlazna Zemlja ou Mati Syra Zemia (A úmida Mãe Terra) era a mais antiga e importante divindade, reverenciada até o século X - mesmo depois da cristianização - e descrita como a força Doadora da Vida, responsável pela fertilidade, reprodução humana e animal e pela abundância da natureza. Seu culto era muito antigo e Ela jamais foi personificada por uma figura humana, mas reverenciada como a própria terra. Seu animal sagrado era a vaca, por terem em comum a fertilidade e a abundância da nutrição.Os camponeses se dirigiam diretamente à Mãe Terra, sem precisarem da intermediação de sacerdotes ou padres e tinham por ela um profundo respeito, amor e gratidão, pedindo suas bênçãos para plantios, suas casas, crianças e animais.Era invocada como conselheira, protetora, testemunha e juíza nas disputas de terras e propriedades e era em Seu nome que eram feitos os juramentos (engolindo um pouco de terra) e abençoados os noivos (colocando um pedaço de terra sobre suas cabeças). Após a cristianização, o seu culto persistiu alguns séculos até que aos poucos, Seus atributos e qualidades foram atribuídos para a Virgem Maria e manifestados nas mulheres.

Os povos bálticos acreditavam que o mundo e a vida eram manifestações de uma força sagrada que tudo permeava e que existia em todos os seres, animados ou não, sendo a fonte do universo e da existência e que era reverenciada como a Grande Mãe sob diversos nomes como Zemyna, Laima, Gabija. Apesar da perseguição cristã, as antigas tradições pagãs que cultuavam a Mãe Divina –cósmica e telúrica - continuaram ocultas em lendas, canções (chamadas dainas) e costumes populares mantidos pelas mulheres.

Na Rússia, em lugar de usar a bíblia para juramentos, os camponeses colocavam terra sobre suas cabeças invocando a Mãe Terra como testemunha. As boas vindas para os visitantes eram acompanhadas do tradicional prato de pão com sal (produtos da terra) e continuam até hoje, porém desprovidas do seu antigo significado sagrado.

Na antiga Grécia os mitos contam como até mesmo os deuses olímpicos invocavam Gea ou Rhea, a mais antiga das divindades, para testemunhar e selar juramentos e pactos, sabendo que todos os seres vivos eram sujeitos às Suas leis.

“Lar“ e “mãe” eram noções idênticas para os povos antigos, que as uniram na imagem de uma Deusa Senhora da Terra; eles acreditavam que deviam ser enterrados no solo onde nasceram e viveram e se recusavam abandonar suas terras mesmo perante as invasões inimigas ou em situações de calamidades. Se por acaso estivessem longe da terra natal e sentissem a proximidade da morte, voltavam o mais rápido possível.

Em certos lugares nos Bálcãs, o encontro post-mortem dos homens com a Mãe era visto como um casamento, a morte sendo um rito sagrado de união com a terra e por isso os mortos eram vestidos como noivos que iam ser recebidos no leito da Mãe Negra.

A imagem arquetípica do casamento com a terra teve uma estranha interpretação na Renascença, com a aparição da pornotopia, poemas vitorianos em que o autor reduzido a um inseto ou ser minúsculo, percorria minuciosamente o corpo feminino descrito como uma paisagem, com vales sinuosos, colinas atraentes, bosques, córregos e uma misteriosa e aveludada gruta avermelhada, em cujo interior era experimentado o êxtase sublime. Este tipo de manifestação artística foi interpretado posteriormente como uma carência espiritual ligada à negação da Mãe Terra no simbolismo religioso e à repressão sexual pelo puritanismo vitoriano.

A gruta é uma associação universal com o ventre da Mãe Terra, local simbólico de nascimento e regeneração; a palavra sânscrita garbha significava “santuário” e “ventre”.Os locais sagrados hindus eram as grutas, representando a yoni da Grande Mãe e nelas foram criados altares para peregrinações e oferendas, muitas delas tornando-se moradas dos eremitas e mestres espirituais. Nos templos etruscos e romanos existiam câmaras subterrâneas chamadas mundus, termo equivalente a ”terra” e “ventre”. Rhea era a Mãe Terra cretense, Criadora de Toda a Vida, que tinha surgido da gruta uterina do Monte Dikte, onde Ela deu à luz a Zeus, que depois foi aclamado como o Pai dos deuses olímpicos.

Mesmo com o advento do cristianismo o culto das grutas continuou com os rituais nelas celebrados. Por não ter sido possível extinguir a reverência às grutas, a igreja passou a usar motivos nelas inspirados para a construção das criptas e câmaras subterrâneas nas igrejas e catedrais. Inspiradas nas antigas lendas dos casamentos sagrados e na conexão com a terra, após a desaparição dos cultos pagãos, as grutas passaram a servir como alcovas de amor nos encontros dos casais e muitas delas foram nomeadas em homenagem a Afrodite como sendo a sua padroeira. As fontes curativas da Europa nasciam nos antigos locais sagrados das deusas pagãs ou nas grutas consideradas portais de acesso para o ventre da Mãe Terra, e por isso foram destinadas para a regeneração e cura, bem como para comunicação com o mundo ancestral e os seres sobrenaturais.

Os nossos ancestrais viviam em grutas e nelas foram encontrados os mais antigos achados arqueológicos e antropológicos datados de 700.000 anos, assim como indícios do uso mágico do fogo para proteção, como comprovam as pesquisas feitas na gruta de Petralona no Norte da Grécia. A partir de 40.000 a.C. existiram altares dedicados à Mãe Ursa, a mais antiga representação da Senhora dos Animais e inúmeras pinturas de animais nas paredes, que depois foram substituídos pelos desenhos mais rebuscados de cenas de caça, luta e danças rituais, mulheres grávidas ou parindo. As inscrições rupestres comprovam a sacralidade das grutas do período paleolítico e neolítico e, mesmo antes das figuras de mulheres apareceram nos desenhos, a sua presença era indicada por animais prenhes, mãos, barcos, inúmeras reproduções de seios aproveitando as formações das rochas, triângulos púbicos e ferraduras invertidas (símbolos universais da vulva), pintados com ocre vermelho. Foram encontradas figuras femininas grávidas esculpidas na entrada das grutas ou estatuetas sem rosto, mas com traços bem elaborados como as famosas Vênus das grutas de Willendorf, Laussel e d’Aurignac, com seios, vulvas, ventres proeminentes e símbolos lunares, revelando a sua conexão com fertilidade, vida e abundância. Em muitas grutas foram encontradas além das figuras femininas ossadas humanas pintadas de vermelho e em posição fetal, demonstrando a função complementar das grutas como locais de nascimento e morte, os moribundos sendo levados para o mesmo lugar onde tinham nascido.Outras grutas eram usadas para rituais de celebração e ritos de passagem, conforme se deduz dos achados e inscrições encontradas nas grutas de Peche Merle e Madeleine na França.

O mais antigo culto europeu era do urso, comprovado pelos crânios arrumados de forma cerimonial e cercados por círculos de pedras nas grutas da Suíça, onde se originou o culto de Dea Artio, a “Mãe Ursa”, Senhora da Caça e da proteção das florestas, equivalente ancestral de Ártemis e Diana como Potnia Theron, a “Mãe dos Animais”, associada aos nascimentos e à proteção dos recém-nascidos. Nos países eslavos as anciãs colocavam os recém nascidos sobre peles de urso e pediam a proteção das deusas correspondentes: Devana, Dziewona e Diwica. Talvez este culto se devesse à semelhança do esqueleto do urso com o humano e ao seu andar em duas patas, atribuindo-lhe o papel de mediador entre o mundo humano, animal e espiritual, sendo que, em algumas culturas antigas, o urso era o guardião ou totem do clã, dando assim origem ao culto da “Mãe Ursa”. Estatuetas de ursos em barro e imagens gravadas nas paredes foram achadas nas grutas de Creta, em uma delas sendo erguida uma capela cristã para Maria na sua representação de Panatya Arkoudiotissa, a "Mãe Ursa".

Reproduções de grutas foram encontradas nas “câmaras de incubação de sonhos” dos antigos templos de Mesopotâmia, China, Egito e Europa, a mais famosa sendo a de Creta, o Hypogeum, datado de 5000 a.C. e tendo uma câmara circular com um estrado de pedra em que se deitava a sacerdotisa oracular, conforme comprovam as estatuetas “da Senhora adormecida”.Dormir no ventre da Mãe Terra era um método ancestral de cura, com recebimento de mensagens sobrenaturais ou de sonhos (interpretados depois pelos sacerdotes) ou um rito de passagem, em que os doentes permaneciam deitados à espera da cura, da vida ou da morte. Estes antigos rituais foram comprovados nos templos das ilhas de Malta e Gozo, onde os peregrinos passavam por experiências profundas ao se conectar com a Mãe Terra, os espíritos sobrenaturais e os ancestrais.

As grutas continuam sendo lugares poderosos para nos conectarmos com a Mãe Terra, mergulhar nas memórias subconscientes e nos deslocar para os mundos sutis, em busca de mensagens, sonhos reveladores, cura e regeneração. Reverenciar o princípio sagrado da Terra nos auxilia na conexão com a beleza e a magia da natureza e com todos os seres da criação, nossos irmãos. Reconhecer a Natureza como a nossa Mãe, nos permite expandir o respeito e os cuidados com o meio-ambiente, a busca do nosso alinhamento energético e espiritual e uma maior e permanente parceria em lugar da atual competição, poluição e profanação do corpo sagrado da nossa Mãe Terra, primordial e eterna.

Mirella Faur

sábado, 16 de outubro de 2010

Anjos e demônios na wicca



http://static.blogstorage.hi-pi.com/photos/cia-de-jesus-cristo.spaceblog.com.br/images/gd/1255555643/ANJOS-DEMONIOS-13-O-TRAGICO-DESTINO-DE-SATANAS.jpg
Gostaria de comentar sobre o porquê de muitos "wiccanos tradicionais" definirem que naão existe anjos ou demônios na Wicca. Peço, pra que cada pessoa que estiver lendo esqueça, nesse momento, a doutrina que faz parte ou a idéia que possui sobre anjos e demônios e analise um pouco da história das terminologias e também dos seres elementais/espirituais que os anjos e os demônios representaram e representam para a história das civilizações.
Nem todo mundo sabe mais os seres mensageiros, hoje conhecidos como anjos, existem a muitos e muitos anos, inclusive, são anteriores ao Cristianismo, melhor, são anteriores tb ao judaísmo. Os Angeolos (grego) ou Ângelus (Latim), eram seres elementais que possuíam a capacidade de vagar entre os planos, e eram tão “puros” em sua estrutura, que compreendiam qlqr linguagem, inclusive a dos Deuses, sendo muitas vezes considerados Deuses “menores” ou Gênios, entre alguns povos os Angeolos assim como os Manes (Daimon), existiam não somente no meio externo, mas tb dentro de nós seres humanos. Para Sócrates; “Daimon é a parte incorruptível do homem, o verdadeiro homem interno, a alma espiritual”. Por isso os homens eram capazes de se comunicar com os Deuses e tb com seres caóticos. Mas é interessante mostrar que para esses povos, os Angelos e os Manes (Daimon) não eram seres distintos, eram, na verdade, os mesmos seres, apenas com nomes diferentes. Isso se deve porque para os pagãos a idéia de Bem e Mal não existia, os Angeolos(Daimon) eram seres “puros”, ou seja, não se ligavam nem ao bem nem ao mal, faziam oq precisavam fazer e pronto, não importava como os homens aceitavam tais ações, o importante era que fizessem o que tinham que fazer, pois isso para eles é o “certo”.
Esses seres eram normalmente “vistos” com asas, pois como sabemos as mensagens eram passadas pelo Ar, através de corujas, águias, pombos...Vemos tb que o Deus mensageiro Hermes era sempre caracterizado com um capacete com asas, e calçando uma sandália alada. Por essa razão os Angelos e os Manes (plural de Daimon) eram sempre caracterizados como seres alados. Segundo Hermes os Manes eram espíritos guardiões da raça humana; “aqueles que moram na proximidade dos imortais, e daí velam pelos assuntos humanos”.
Agora saindo dos povos gregos, vamos aos povos do oriente, de onde os Hebreus roubaram a termologia Elohim, que atualmente muitos pagãos usam como referência aos Angelos.
O termo “El” para designar Deus, vem dos Cananeus, povos semitas da Fenícia e da Palestina, cuja civilização foi marcada pela unidade da religião e da linguagem. Em toda a sua região eram adoradas as divindades conhecidas pelos textos de Ugarit (referência abaixo) como El, Baal, Adu, Anat, e vários outros (sim eles eram pagãos). O culto dos Cananeus ocorria em lugares altos onde se encontravam os bosques sagrados, sacrifícios e ritos sexuais assinalavam as celebrações dos festivais em honra aos Deuses. Atingidos pelas invasões Aramaicas (sendo um dos povos invasores, os Hebreus) no fim do II milênio a.C. o “mundo” cananeu reduziu-se, a apenas, as cidades Fenícias e Púnicas.
El era o Deus do Céu entre os Cananeus (Singular a Zeus entre os Gregos). Divindade suprema que foi eclipsado(Ofuscado) por Baal. Apropriado pelos hebreus, o nome do Deus e dos seus seres mensageiros, passou a ser um termo para designar os outros nomes de Javé:
Elohim e El-Shaddai.Encontramos referência dessas palavras na Bíblia, e tb nos textos Babilônicos de Tell Al Amarna, sendo esses últimos textos, pagãos e anteriores a formação da Bíblia Hebréia* (Antigo testamento).
O termo Elohim é o plural de Eloha que significa: “mensageiros de El”. Como El era o Deus do Céu - veja Céu como apenas a atmosfera compreendia entre a terra e as estrelas – ele tb era considerado o Deus Mensageiro dos Cananeus, e seus “braços direito” eram os Elohim (na hierarquia dos elementais, são os mais “evoluídos”).
Sei que um texto muito longo é cansativo, mas já que estou disponibilizando algumas informações históricas acredito que é interessante comentar sobre os sítios Arqueológicos de Ugarit e Tell Al Amarna, já que eles foram citados como referência.
Ugarit era uma antiga cidade da costa da Síria, ao norte de Latáquia, atual Ras Shamra, a chegada dos Amorreus no III milênio a.C fez a prosperidade da cidade, que se tornou, no II milênio, um rico centro comercial em que predominavam as influências Egípcias e Hitita. O sítio arqueológico de Ugarit foi descoberto em 1928 e escavado por C. Schaeffer e sua equipe. Em dois imensos palácios foram descobertos em câmaras subterrâneas, depósitos de arquivos e de textos literários, os quais, possuíam 5 sistemas de escrita entre elas a Ugarítica, língua semítica utilizada na fenícia dos séc. XV ao XIII a.C.
Amarna, sítio do Médio Egito, na margem oriental do Nilo, ao norte de Assiut,presente no local das ruínas de Aquetatão, a efêmera capital de Amenófis IV Aquenaton (1372 – 1354 a.C.). Os arquivos reais lá encontrados forneceram um grande volume de informações sobre as relações do Egito com outras regiões do Oriente Próximo. Foram descobertos templos do culto solar, palácios, residências particulares, bairros operários e necrópoles, assim como diversas oficinas e lojas.
* Baal é a palavra semítica que significa “Senhor”, e que era aplicada a várias divindades padroeiras de cidades, em especial a Hadad, deus da tempestade. Percebam que a Igreja Católica, para não perder o costume, transformou o termo Baal no nome de um dos “grandes demônios”, e em alguns casos é até o nome dado ao Diabo.
Depois disso tudo vamos ao resumo: No passado os seres elementais/espirituais responsáveis por transmitir mensagens, energias, e sensações entre os planos, além de serem os guardiões dos “portais” eram chamados pelos gregos de Angeolos ou Daimon, sendo que sua força e personalidade também habitavam o mundo interno de cada ser humano. Esses seres não eram bons nem maus, eles agiam de acordo com o que precisavam fazer, pois na mente dos antigos (e dos atuais) pagãos nada é bom ou mal, tudo depende do ângulo que vc encara, normalmente consideramos tudo um aprendizado e uma forma de arrecadar sabedoria. Esses mesmos seres aparecem na crença dos Sumérios, Babilônicos, Cananeus e vários outros, e o termo que alguns deles usavam para representar esses seres era Elohim, ou mensageiros de El. Atualmente a Igreja Católica absorveu e transformou o termo Angeolos em anjos, e Daimon em Demônios, mas inseriu neles características inexistentes no passado, primeiro pq transformou-os em seres distintos, segundo pq colocou os anjos como seres Bons e os Demônios como seres maus, ligando-os inclusive a uma entidade unicamente cristã/judaica denominada de Diabo/Satã (que na mitologia judaica, era um anjo). Ou seja, fizeram uma “mistureba” danada, um anjo virou um ser quase divino, que passou a controlar os Daimon que deixaram de ser a mesma coisa que os angeolos. Os anjos, por sua vez, foram divididos em 9 camadas hierárquicas: Serafins, querubins, tronos, dominações, virtudes, postestades, principados, arcanjos, anjos. E agora a termologia anjos significa: "ser celeste intermediário entre Deus(cristão monoteísta) e os homens". Assim sendo, as religiões pagãs como a Wicca, não podem mais usar o termo anjos, pois isso causaria uma grande confusão, principalmente na mente dos mais novos que desconhecem os traços históricos dos termos, e além de causar um choque de Egrégoras, pois seriam 2 contextos (Pagãos e Cristãos) utilizando um mesmo "termo invocativo" para invocar e evocar entidades diferentes.
Enfim, o que podemos fazer? Como trabalhar com esses elementais/entidades? Simples, atualmente boa parte das tradições da Wicca e de Clãs da Bruxaria tradicional trabalham com a terminologia Elohim, já que esta, apesar de aparecer como um dos muitos nomes de Jeová (Deus dos hebreus), não possui nenhum vínculo ou culto religioso fortemente estruturado e propagado como ocorreu com os anjos, e possui uma egrégora unicamente pagã.
O conselho que eu dou é: Use o termo Elohim, qndo for trabalhar com os seres mais altos da categoria elemental, ou crie nomes para eles(como muitos na BT fazem), mas não use o termo anjos, pois esse nome já deixou de ser (ou nunca foi) pagão e está enraizado na cultura cristã. Se vc usar o termo anjos, vai acabar confundindo as pessoas e ainda vai cair em um grande choque de egrégoras. E essa confusão não é boa para a imagem da religião Wicca, e muito menos para o paganismo.
Existem anjos e Demônios na Wicca? Não, não existem. Angeolos, Daimon, Manes e Elohim, existem, mas anjos e Demônios não.
Alguém agora pode bater o pé e dizer Angeolos e anjos é a mesma coisa, só escreve diferente. Minha resposta é a seguinte: Para os Judeus o nome Shabbat (com SH) é o sábado, o sétimo dia da Criação, o Dia do Repouso do Senhor e a mais importante comemoração dos Judeus. Todo tipo de trabalho é proibido, homens, mulheres, crianças, animais, nada pode trabalhar no dia de Shabbat, pois é um dia de meditação, introspecção e estudo, dedicado à lembrança da escravidão do Egito. Já na Wicca os Sabbaths (apenas com S e com h no fim) são as comemorações celtas (maiores) e os equinócios e Solstícios (menores). Os termos são parecidíssimos e no passado eram utilizados para designar as celebrações não cristãs, mas hoje, já fortalecidos são termos parecidos, mas que significam coisas completamente diferentes, e é assim com os Angelos e os anjos.
TEXTO: Dayne Anglius

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Poção para atrair dinheiro e prosperidade



Essa é uma poção muito simples que deve ser feita para melhorar sua situação financeira. Deve ser realizada na noite de um dos três primeiros dias de Lua Cheia.

Você vai precisar de:

* 1/2 litro de água mineral
* Corante verde
* Oito moedas do mesmo valor
* Essência de madeira do Oriente
* Uma folha de fortuna
* Três velas verdes
* Um incenso de canela

Como fazer:

Comece pregando a folha da fortuna na porta de sua casa. Quando ela já estiver cheia de novas folhas (a folha de fortuna se multiplica), prepare a poção.

Acenda o incenso e as velas verdes em triângulo. Numa tigela, coloque as moedas e acrescente a água, dizendo:

"Assim como a água do rio, o dinheiro flui na minha vida. Assim como a chuva cai do céu, o dinheiro se multiplica no meu bolso."

Acrescente oito gotas de essência e oito gotas de corante. Em seguida, coloque a folha de fortuna no meio e, com as mãos sobre a poção, diga o seguinte encantamento:

"Vou ganhar muito dinheiro
Pois para mim ele vem hoje e manhã
Vem correndo, vem ligeiro,
Vem voando, de tarde, de noite e de manhã.
E com meu trabalho e minha sorte
Elimino minhas dívidas
Nelas dou um corte.
Minha sorte muda para melhor
Com essa poção de riqueza.
Agradeço as bruxinhas pela presteza
Pois vieram me ajudar
Para esta poção encantar!
Que se faça em luz e graça
Assim seja, assim se faça!"

Mantenha a poção no mesmo lugar até que as velas se apaguem, e então coloque-a num frasco de perfume.

Retire a folha e devolva-a para um jardim, agradecendo por sua ajuda.

As sete moedas devem ser gastas em algo que lhe dê prazer.

Como usar:

A poção pode ser usada como um perfume, passada nas mãos, ou então passada com um pano no batente da porta, na carteira ou na mesa de trabalho. Repita essa operação em todas as Luas Cheias.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O lado místico do Flamenco


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Quando o cante solta um grito de: Hay!
Naquele momento o espectador, seja ele andaluz ou não, não precisa de nenhuma explicação.
Ele compreende, instintivamente, o que é o flamenco.

Mas quando quer conhecer as origens do flamenco ou as diferentes acepções da palavra, não obtém uma resposta definitiva. O flamenco tem seus mistérios.

É certo, porém, que o flamenco permanece uma MÚSICA singular ligada a curtos poemas, as copias, freqüentemente fascinantes - sobre a qual enxertou-se a DANÇA. O canto (el cante), a música (el toque) e a dança (el baile) são indissociáveis. Eis unia das raras certezas.

Há uma outra, a de seu local de nascimento. A pátria do flamenco a Baixa Andaluzia e seu berço o triângulo Sevilha - Jerez - Cádiz.

O problema torna-se mais complexo quando se aborda a etimologia do Flamenco. A palavra espanhola "flamenco" significa "flamengo". Seu estudo deu lugar a numerosas interpretações. O viajante inglês George Borrow, que viveu desde 1836 perto dos ciganos da Andaluzia, menciona em seu livro Los Zincali que se designa os ciganos sob o nome de novos castelhanos, de germanos ou ainda de "flamencos".

Alguns adiantam que a palavra "flamenco" é um derivado da expressáo árabe "fellah-mengu" que significa "camponês em fuga", devido à proscrição dos ciganos (que aconteceu paralelamente à perseguição dos mouros em 1570, empreendida por Felipe II de Espanha). Outros consideraram que a palavra "flamenco" poderia ter sido importada da Flandres no século XVI por alguns "flamengos" da corte de Carlos V. O termo era compreendido então como um insulto, podendo ser aplicado aos ciganos.

Viria ainda a palavra "'flamenco" de "flameante" (flamejante) ou designaria como hoje os fanfarrões? Não esqueçamos, enfim a versão de Francisco Rodriguez Marin que vê uma correspondência simbó1ica entre o flamingo rosa (igualmente flamenco), que vivia nas costas do Mediterrâneo e os andaluzes que ocupavam as tabernas, os locais de festa, e cuja silhueta lembrava a do palmípede.

Não bastasse a palavra "flamenco" dar margem a divergências, a própria história do Flamenco e de suas origens suscitam igualmente numerosas hipóteses e polêmicas.

CIGANO E/OU ANDALUZ

Seria o flamenco criação exclusiva dos ciganos? Se definimos o flamenco como cigano, havemos de convir tratar-se de ciganos tornados sedentários e estabelecidos na Andaluzia. De onde vinham eles?
Do vale do Hindo onde, empurrados pelas tropas de amerlão, teriam - a partir da India ganhado a Europa pelo Egito, a África do Norte ou os Bálcãs. O grupo conduzido por João do Egito Menor penetrou nas terras de Alfonso V de Aragão, que deu-lhes o direito de lá se instalarem livremente (1425).

Durante todo o século XV os ciganos conheceram um periodo de paz, que lhes permitiu entrar em simbiose com o folclore andaluz. Desse encontro nascerá o flamenco, canto profundo marcado pela melancolia, o fatalismo e o sentimento trágico da vida. De alguma forma, os ciganos fizeram emergir toda a riqueza artística acumulada durante séculos na Andaluzia, que viu se sucederam fenícios, romanos, bizantinos, visigodos, e coabitarem cristãos, judeus e muçulmanos.

A verdade histórica encontra-se a meio caminho, entre os que consideram que os ciganos estão na origem das formas primitivas do flamenco e os defensores ferrenhos de um "andaluzismo ean-Marie Lemogodeuc e Francisco Moyano sustentam que houve "uma lenta transição entre o substrato folclórico andaluz - constituído de romances, canções e danças populares, que originaram os corridos ou romances gitanos - e as tonás gitanes do canto profundo". Pode-se, portanto, considerar uma evolução progressiva e insensível dos ritmos e canções populares andaluzes rumo a uma "ciganização".

Ao redigir em 1783 As Regras para conter e castigar a errância e outros malfeitos daqueles chamados ciganos, Carlos III coloca o cigano numa situação jurídica de igualdade com os espanhóis e vai tornar possível a emergência do canto e da dança flamenca.

El cante

O primeiro nome conhecido de cantaor profissional é e de Tio Luis 1 de la Juliana. Há ainda El Planeta (criador da seguiriya) e seu discípulo El Filio. Eles vivem no início do século XIX e são todos ciganos.

A primeira referência àquilo que pode ser considerado como do flamenco encontra-se na obra Escenas andaluzas (Cenas andaluzas) de Serafín Estébanez Calderón, publicada em 1847: no capítulo "Dança em Triana" o autor enumera nomes precisos de cantos e de cantores.

Após a primeira geração do flamenco, de 1800 à 1860, vem a da idade de ouro, de 1860 a 1910. Os primeiros cafés de cante ou cafés cantantes (cafés-concerto) são abertos em Sevilha a partir de 1850: Los Lombardos, ei A renal, las Friperas, o Café de Variedades... Mas é principalmente com a abertura de "El Burrero" em 1880 (que se tornará "Café dei Burrero") e do "Café de Silverio" que o cante entra em plena atividade.
Constate-se aí que os artistas "payos" (os não ciganos, em espanhol) são duas vezes mais numerosos que os ciganos. Os cafés cantantes teriam pois permitido aproximar as tradições andaluzas (Malaguenhas, Verdiales, Granadinas, Tarantas) e cigana (Se guiriyas, Soleares, Martinetes, Bulerias, Tangos...). O cantor permaneceu durante muito tempo o personagem principal mas, com o tempo, o guitarrista assumiu crescente importância. O nível geral melhorou e os guitarristas inventaram novas técnicas.

O desenvolvimento dos cafés cantantes teria desencadeado um transtorno irreversível na histór do Flamenco. A partir daí, ele deixa de ser uma exclusividade cigana; sai do universo privado e familiar para se transformar em espetáculo lucrativo. Abre-se assim a terceira fase do flamenco e sua teatralização.

El baile

No inicio do seculo XX artistas como Manuel de FalIa ou Ramorr Goniez de la Serna se inquietam: estaria o flanretrco em decadência? Para manter vivas suas foiites criam um concurso de Cante Jondo, corri a intenção de dar a preferência aos "Cantaores que evitam as fiorituras abusivas". Ele acontece em 13 de junho de 1922 ria praça de los Aljibes, eni Alhambra. Acima do prêmio outorgado a Niíio Caracol, o que importa é a tomada de consciência pelos intelectuais da época corno Federico Garcia Lorca da dignidade e da riqueza do flanretrco.

Mas por outro lado o espetáculo teatral assume uma importância bem particular, jã que ele fará o flamenco conhecido mundo a fora. Não se trata mais somente de tablao, mas de cenas de teatro.

Em 1929, Antonia Mercê, "La Argentina", cria a primeira companhia de balé espanhol, que estréia ria Opéra Comique de Paris. Vicente Escudero apresenta, também ria capital francesa, suas primeiras criações e redige seu Decálogo da Dança flaumermca (1949). É sem dúvida nesse momento que, no inconsciente coletivo, o baile (a dança a que atualmente se associa o termo flamenco) suplanta o cante.

O baile é o prolongamento do cante. Dele emana e se alimenta. A flama é animada pela voz do cantaor e, segundo Jean Cocteau, "o dançarino se consume nesta chama". A osntose é tal que o nome das danças é o mesmo que o dos cantos.

Como o cante, o baile é leve nas alegrias, burlerías, rumba e patético nos soleares, seguiriyas e martinetes. E é a tradição:
como o cantor, o dançarino passa de um estado de tensão dramática a um estado de calma. Por exemplo: a dança que acompanha os soleares vê-se atenuada e adocicada, no momento de seu paroxismo, por uma passagem a um ritmo de bulerías ou a outros ritmos feitos do mesmo estilo.

Ao estrear no teatro, o flamenco viveu um período de transição, onde por vezes a imagem exótica prevalece sobre a autenticidade. Mas não houve erosão do gênero, e após algumas indecisões, a arte do flamenco encontrou em grandes artistas (La Argentina, Carnren Amaya, Antonio Ruiz Soler, La Chunga, El F~rruco, ou ainda Antonio Gades e Christina Hoyos) sua força de emoção e de paixão.

Os viajantes do século XIX já observavam que é no domínio da dança, dos ritmos e da harmonia que a arte flamenca utiliza os elementos da arte sacra da Índia. Por suas atitudes, pelos simbolos mágicos desenhados por seus braços e seus dedos, a bailarina de flamenco não deixa de recordar ao espectador de hoje a dançarina indiana.

A dança, naturalmente, obedece a regras e deve curvar-se, imperativamente, às exigências do coam pás. O segredo do flamenco, porém, permanece inteiramente nas mãos dos artistas.

Adaptado a partir de
original de Martine
Planells publicado no
programa da Ópera de Paris

SÍNTESE:


1) Os mouros predommmirmaram na Espanha de 711 à 1492 (até a sua expulsão pelo rei Ferdimando e a rainha Isabel).

2) Encontramos aqui uma mistura musical de elementos orientais, judaicos, berbemes e gregorianos. A influência árabe ali foi notável, principalmente rias técnicas inarmônicas, utilizando intervalos menores que o semitom. Autores de mmmi estudo sobre o Flamenco (coleção Que sais-je?, muito popular na França)

No início do século XVIII ainda não se encontram sinais da palavra flamenco com designativa de um gênero musical, e as duas danças riais populares à época são o fandango e a seguidilla que, dançadas no teatro por profissionais, serão enobrecidas pela "Escuela Bolera" (a escola de balé clássico). A dança "flamenco", tal como é hoje praticada, nasceu no século XIX.


O Lado místico do Flamenco

A dança sempre esteve presente em todas as civilizações, em todos os povos, desde os primórdios, seja ela em caráter religioso (oferecida aos deuses ou ritualística), alegre (livre e descontraída) ou comunicativa (comunicação através do corpo).

Algumas civilizações antigas, bem como algumas tribos indígenas, praticavam a chamada "Dança da Terra. Essa dança era executada com os pés descalços e batendo simultaneamente no chão. Acreditavam que com isso, tornariam a terra fértil e se livrariam de todos os males físicos e espirituais, passando para a terra todas as doenças, dores e tristezas de que por ventura se apresentassem."

Esse aspecto também está associado à crença dos Ciganos Calóns que acreditam que o Flamenco tem o poder de "descarrego" através dos "taconeos".

2. OS QUATRO CAMINHOS DA VERDADE

Através de qualquer um destes 4 caminhos é possível chegar à verdade universal.

É o que explica a pirâmide:

1. arte - ÁGUA
2. ciêncía - TERRA
3. filosofia - AR
4. religião - FOGO


O centro, ou seja, o cume da pirâmide representa a verdade universal e cada lado, a subida por um caminho assim representado.

Por laços invisíveis e imperceptíveis, estão ligados entre si, pois significam e levam a uma mesma coisa: a Verdade.

Mas como em todo caminho existe muitos desvios e obstáculos...

3. NUMEROLOGIA CABALA E FLAMENCO

Certos ritmos dentro do flamenco são considerados pelos Ciganos Calóns e alguns estudiosos, como mágicos devido a seus compassos rápidos, marcados, violentos e sutis ao mesmo tempo.

Por exemplo: Temos as "Siguiryas", na qual cada compasso compõe-se de 5 tempos. Numerologicamente este rítmo representa a estrela de 5 pontas e toda sua simbologia, além do signficado do número.

Cada ritmo possui um símbolo e um significado, um número e uma finalidade.

Tudo isso será estudado no último período profundamente.

Essas informações são aqui expressas para somente lhe conscientizar a respeito deste lado da arte da dança flamenca.

4. O PODER DA DANÇA

Todos os místicos, magos, ciganos e esotéricos afirmam que, quando a dança é executada em toda sua plenitude, onde a pessoa está completamente entregue a dança e a música, ela atinge um certo estado de transe e nesse estado é capaz de direcionar essa energia que está sendo produzida para a realização de seus desejos mais profundos e intensos, mentalizados e programados em seu inconsciente.

Além de proporcionar estados de plena felicidade, satisfação, contentamento e uma renovação total de energia, a pessoa que dança se torna mais disposta para o dia-a-dia, vencendo seus obstáculos e tendo mais força para lutar nos revezes de nosso cotidiano urbano.

A dança nos faz "ficar de bem" com a vida!

E quando uma pessoa fica de bem com a vida, a vida sorri para ela !!!



Os Trajes


Existem 4 modelos básicos de trajes flamencos que se associam aos 4 elementos e aos 4 caminhos universais da Verdade:

1. HOMEM Camisa social e colete

1. MULHER Saia comwn comprida, representa o elemento fogo e o caminho da religião.

2. HOMEM Somente camisa social e uso de bengala.

2. MULHER Saia que vem justo nos quadris e coxas saindo babados a par/ir do joelho, representa o elemento terra e o caminho da ciência. Uso de pandeiros.

2. HOMEM Um blaiser sobre a camisa social e colete

3. MULHER Bata-de-cola, representa o elemento água e o caminho da arte. Uso de xales.

4. HOMENS Uso de chapéu e punhais e camisa bufante.

4. MULHERES Saia comum, porém um pouco mais curta na altura da panturrilha, representa o elemento ar e o caminho da filosofia. Uso de Leques.

Assim como os trajes, as músicas também se associam aos elementos de acordo com seus ritmos.

Pequeno Dicionário Flamenco:

Ay! - exclamação que introduz ou acompanha numerosos cantos.

BaiIaor(a), Cantaor(a) - bailarino(a), cantor(a) de flamenco. Deformação das palavras espanholas bailador, cantador pelos andaluzes. O termo bailarino designa o dançarino de balé clássico.

Braceo - port de bras dos dançarmos de flamenco.

Cante jondo ou Cante grande - cantos profundos como a seguiriya, a solea e o martinete, em oposição ao cante por fiesta (buleria, tango, alegria...), bem mais alegre.

Jondo é a deformação da palavra "hondo" (profundo). Termo proposto por Manuel de FalIa e Federico Garcia Lorca para substituir a palavra "flamenco", julgada restritiva no inicio do século. O cante jondo se aplica aos cantos que encerram ressonâncias primitivas, graves, e cuja força de expressão nasce dos sentimentos mais íntimos. Federico Garcia Lorca diz que no cante jondo "as gradações mais ilimitadas da Dor e da Pena, colocadas a serviço da mais pura e mais exata expressão, batem nos tercetos e quadras da seguiriya e seus derivados".

Copia - pequeno poema de três, quatro versos, que serve de texto para as canções populares e para o flamenco.

C ompás - compasso (ritmo de uma frase musical). C uadro - grupo de artistas de flamenco, composto de cantores, guitarristas e dançarmos reunidos para um espetáculo.

Duende - do sânscrito "divindade". O dicionário da "Real Academia" da a seguinte definição: "O misterioso e inefável encadeamento do Cante f/amenco~. Federico Garcia Lorca escreve em Teoria y Juego dei Duende: "o Duende é um poder e não um ato. Uma luta e não uni pensamento". Ele conta o que uni velho mestre de guitarra dizia: o Duende não está na garganta; o Duende sobe internamente a partir da planta dos pés". Para os "flamencos" énecessário compreender que o Duende é uru estado de graça que surge de modo inesperado e que não tem duração mensurável. E tarnbém o arrepio extático comunicado por certos artistas, que se manifesta sobretudo no baile e no cante por fiesta.

Gracia - dom de leveza e... de hunior, manifestado no baile. Quanto às danças lentas, elas requerem "ei arte", o grande estilo.

Jaleo - palavras "OLÉ !","VIVA DIOS !", palmas e outras manifestações que servem para encorajar os artistas.

J uerga - "fiesta flamenca" com cantos, danças e vinho (fino) à vontade.

M antõn - grande xale de seda com franja, indispensável ás sessões das bailaoras. Outros acessórios: o leque (habanico), as flores nos cabelos, o vestido de cauda (bata de cola) para os espetáculos. As castanholas (castanuelas) não são propriamente "flamencas"; elas provêm do folclore e do balé clássico espanhol.

Marcar - dançar, sem zapateado, geralmente durante o canto.

Palmas - bater de mãos que acompanha o cante ou o baile, sobre o tempo ou no contratempo. Há dois tipos de palmas: as palmas "normais" ou sonoras (bate-se na palma de uma das mãos com os dedos da outra) e as palmas "sordas" (surdas) utilizadas para evitar prejuízo à audição do canto (bate-se com as duas palmas, uma contra a outra).

Peña - associação de aficionados (aficcionados).

Pitos - estalar de dedos para marcar o ritmo.

Remate - movimento acentuado dos pés ou do corpo para terminar um compasso. Serve para fechar uma série ou um Conjunto.

Tablao - cabaré "flamenco", munido de um estrado de pranchas, e que se inspira nos antigos cafés "cantantes".

Taconeo - série de golpes ritmados, dados com o salto (tacôn). Toque - do verbo tocar. Designa a ação de tocar como o som produzido.

Zapateo ou Zapateado - como autêntico percussionista o bailaor dispõe de seus pés como de uma bateria. Originário de Cádiz, esse uso remonta ao século XVI. Hoje essa maneira de dançar - sóbrio nas atitudes - consiste em vibrar o solo com o pé num conjunto rítmico ordenado (sendo os sons produzidos por três movimentos sucessivos: ponta, salto, ponta - punta, tacón, punta). Existe um parentesco com o katak indiano.

Adaptado de texto original de
Martine Planells publicado no
programa da Ópera de Paris

Algumas Danças Flamencas

Tango - não deve ser confundido com o tanto argentino. Trata-se de uma adaptação desta dança feita pelos ciganos que se popularizou na Espanha em meados do século XIX. De ritmo binário, o tango tornou-se uma das danças mais características do flamenco. Dança da sedução, seus movimentos são elegantes, chegando a ser espevitados ou alusivos. Os tangos deixam ao bailarino um amplo espaço para a improvisação pessoal.

Bulería - o nome vem de burla (zombaria, blague) ou de bulia (agitação). A bulería nasceu no final do século XIX e permite todos os tipos de improvísações. E cantada e dançada ao ritmo de uma soleá muito leve (a soleá é, com a seguiriya, uma das bases do flamenco). E um canto festivo criado, ao que parece, pelos ciganos de Jerez. O bailarino deve seguir um compás alternado. Em um ciclo de 12 tempos, sucedem-se dois tempos longos e três breves. Esse tipo de compás funciona na realidade de maneira muito complexa: o ciclo pode começar seja sobre os tempos 12, 1, etc., dividir-se em dois, três ou quatro sub-partes e superpor várias escanções simultâneas. Sobre este ritmo, a bulería, alegre ou sentimental, libera todas as energias.

Alegría - como reconhecer uma alegria? Talvez pelo "tiritran, tran, tran" que inicia. Como seu nome o indica, é uni canto e uma dança de contentamento, de alegria, que se desenrola sobre um cornpás alternado. As alegrias mais célebres vêm de Cádiz.

Farruca- do árabe "faruq" - que significa corajoso, o sobrenome dado pelos andaluzes aos imigrantes galegos ou asturianos). Cante de origem galega que absorveu inegáveis influências andaluzas, especialmente da região de Cádiz. Suas características: a doçura, a cadência e a melancolia. A dança se apoia sobre um com pás regular em tempo binário (estruturas a 2 ou 4 tempos por compasso, em ciclos de 4 ou 8 compassos). Adaptada ao homem, a farruca é lenta, nobre e grave com pausas muito precisas. Os pés percurtem constantemente o solo com violentos golpes dos saltos. Sua grande dificuldade reside nos desdobramentos em contratempos que alternam com os passos que lhe são peculiares. Foi La Trico coe, Léonide Massine introduz uma farruca que é o momento mais esperado do balé.

Romera - parece derivar de uma palavra repetida varias vezes nos mais célebres textos de copias. Romera teria o sentido de "mulher", de amante. O cante tem o niesrno compás que as alegrias e as bulerías (estrutura rítmica de doze tempos), que faz dele um cante inteiramente apropriado à dança.

Adaptado do programa da Ópera de Paris.

fonte:Arte e movimento



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