quinta-feira, 12 de agosto de 2010

HISTÓRIA DA BRUXARIA



HISTÓRIA DA BRUXARIA


Quando iniciamos o estudo de algo que nos é novo, a primeira pergunta que nos vem
à mente é: "de onde surgiu?".

Portanto, nada mais correto do que usar a história da Arte como ponto de partida.
De onde veio a Wicca? Como tornou-se o que é hoje ? O que ela é hoje ?

Wicca é uma palavra do inglês arcaico que quer dizer "bruxo" (plural wicce). Há quem diga que seu significado é "sábio", mas isso não corresponde à verdade.

A palavra tem sua origem na raiz indo-européia 'wikk-', significando 'magia', 'feitiçaria'. O nome Wicca é o mais usado para denominar nossa religião. Ela também é conhecida como Bruxaria, Feitiçaria, Antiga Religião e Arte dos Sábios, ou simplesmente, a Arte.

As origens da Bruxaria remontam à aurora da humanidade. Nossas crenças começaram a tomar forma no Paleolítico, há aproximadamente vinte e cinco mil anos. Neste período, o ser humano era nômade e suas principais fontes de subsistência eram a caça e a coleta. Tudo era misterioso para o homem e a mulher do paleolítico: o trovão, o sol, a escuridão... Para eles, o mundo era um lugar perigoso, cheio de forças que deveriam ser temidas, respeitadas e reverenciadas. Com o tempo, a idéia das forças foi evoluindo para a idéia de Deuses.

Um dos primeiros e, seguramente, o mais importante Deus primitivo a surgir foi o Deus de Chifres.

Para que o clã nômade sobrevivesse, uma das principais atividades era a caça: dela provinham carne para alimentar-se, peles para vestir-se, ossos e chifres para fazer instrumentos. Assim, tomou forma na mente do ser humano primitivo a idéia de um Deus das Caçadas, dotado de chifres, símbolo de seu poder. Alguns membros do clã iniciaram a prática de atividades de caráter mágico-religioso, compostos por um elemento religioso (esboços de rituais e mitos dedicados à adoração do Deus de Chifres, forças da natureza e espíritos dos antepassados) e por um elemento mágico (práticas que tentavam atrair a benevolência destas divindades e espíritos, a fim de manipulá-la para interesses práticos do clã). Neste momento estava se delineando algo que se assemelhava muito a grosso modo com um a classe sacerdotal. Estes ‘sacerdotes’ realizavam ritos do que hoje é denominado maga simpática, ou seja, práticas baseada na atração dos semelhantes. Pintavam-se cenas de membros do clã vencendo e abatendo animais cobiçados, para garantir o sucesso da próxima caçada. Miniaturas destes mesmos animais eram confeccionadas, em osso, chifre ou barro, e então simulava-se sua caça e abate. Estes ritos eram geralmente dirigidos por um destes 'sacerdotes', geralmente usando a primeira de todas as túnicas: peles de animais e uma máscara dotada de chifres.

Em Trois Frères, na França, existe uma pintura de doze mil anos, conhecida como "Le Sorcier" ("O Feiticeiro"). É a figura de um homem vestido de peles, com cauda e chifres de cervo. A sua volta, paredes cobertas por pinturas de animais em caçadas. A seus pés, uma saliência na rocha, constituindo um altar. Mas as caçadas não eram a única coisa que faziam o clã sobreviver. Havia um Mistério: o da fertilidade. O clã precisava continuar. De tempos em tempos, a barriga das mulheres crescia, e, ao fim de algumas luas, delas surgia um novo membro da tribo, pequeno, mas que crescia com o passar do tempo. Os animais também tinham filhotes, e isso garantia o alimento das futuras gerações. A chave de todo esse Mistério era a mulher, aquele enigmático ser que, se já não bastasse ser a única responsável pela continuação da tribo (ainda não havia a consciência da participação do homem na reprodução), também alimentava as crianças com leite de seu próprio corpo. Além disso, aquela criatura mágica vertia sangue de dentro de seu corpo em algumas ocasiões, mas mesmo assim não morria.

Todas estas constatações deram origem ao surgimento de uma Deusa da Fertilidade, uma Grande Mãe.

Figuras pré-históricas desta Deusa são incontáveis. Uma das mais famosas é a Vênus de Willendorf: seu corpo parece uma grande massa disforme da qual se destacam um gigantesco par de seios e uma proeminente barriga grávida. Ela não tem pés nem braços, e seu rosto está coberto. Estas características são comuns a várias outras 'Vênus' pré-históricas, e se devem à ênfase que o ser humano primitivo dava ao aspecto de fertilidade da mulher.

A Deusa era a Grande Mãe Natureza, fonte de toda a vida. Com o tempo, os homens foram se conscientizando de seu papel na reprodução, e o aspecto de fertilizador passou a ser mais um dos atributos do Deus de Chifres. Ele tornou-se filho da Deusa, pois dela era nascido, e também seu amante, pois a fertilizava para que um novo ser surgisse. A partir desta concepção, novos ritos foram adicionados às práticas mágico-religiosas, onde esculpiam-se ou pintavam-se animais ou humanos copulando, e todo o clã entregava-se ao ato sexual, já tendo recebido a graça dos Deuses.

No Neolítico, o ser humano desenvolveu a agricultura, e começou a formar aldeias e povoados. Com a descoberta das técnicas de plantio, a Deusa assumiu maior importância, passando a acumular também o aspecto de guardiã da colheita. O Deus de Chifres começou a ganhar uma nova face, a de alegre Deus das Florestas, protetor dos animais e criaturas dos bosques. Quando o homem adquiriu a noção das estações do ano, esboçaram-se as primeiras idéias sobre a Roda do Ano. Havia um período quente e fértil, onde realizavam-se as colheitas e a natureza mostrava todo seu esplendor.
Neste período, reinava a Deusa das árvores secavam e caíam e tudo parecia estar morto. O povo voltava a depender da caça para sobreviver, pois não podia viver só dos alimentos armazenados. Quem regia este período era o Deus das Caçadas, que também adquiria seu novo aspecto de Sombrio Senhor da Morte (nesta época nasceram também os primeiros conceitos sobre a vida após a morte). Surgiram então os primeiros mitos sobre a descida da Deusa ao mundo subterrâneo que, séculos mais tarde, tomaria forma definitiva na Grécia, com o mito de Perséfone, e na Mesopotâmia, com a lenda de Ishtar.

As culturas desenvolveram-se com o passar dos séculos, e novos aspectos dos Deuses foram descobertos. Cultos religiosos se estruturaram, centrados nos ciclos e nascimento, morte e renascimento da natureza. O tempo da plantação e o tempo da colheita eram muito importantes, marcados com festividades, assim como o período do recolhimento do gado e a época de sua liberação ao pasto. Nestas datas, juntamente com as de mudanças de estação, realizavam-se encenações de mitos nos quais um Deus Velho morria para um Deus Jovem nascer, representando a morte da antiga colheita e o nascimento de uma nova.

Estes cultos possibilitaram o refinamento da classe sacerdotal, que chegou ao requinte de gerar representantes como os druidas, sacerdotes celtas que encantaram os gregos e romanos com sua profunda filosofia e integração com a natureza. Sua erudição era admirável, e acumulavam funções como a de legisladores, médicos, poetas, bardos e guardiões da tradição oral. Na Grécia Antiga, floresceram os Cultos de Mistério, dos quais deve destacar-se os Ritos de Elêusis e os Mistérios Órficos. Também foram de grande importância os cultos dionisíacos. Deve-se ter em mente que estas são linhas gerais do início da bruxaria, que confunde-se com o surgimento das primeiras manifestações religiosas humanas.

O que relatei acima aconteceu, em épocas diferentes, nos mais variados lugares. É verdade que nem tudo ocorreu exatamente da mesma maneira em todos os lugares: enquanto no Crescente Fértil da Mesopotâmia nasciam avançadas civilizações, na Europa ainda vivia-se de caça e coleta. Mas o que impressiona e é importante não são as diferenças, e sim as semelhanças dos primeiros esboços de religião. Meu objetivo, com a pequena exposição acima, foi dar ao estudante noções de como foi o surgimento da idéia dos Deuses e seu desenvolvimento.

O Surgimento do Cristianismo

Ao contrário do que se pensa, o cristianismo não foi imediatamente adotado pelo povo europeu ao ser declarado religião oficial do Império Romano.

Esta conversão dos Romanos ao catolicismo teve motivos políticos, e não teve grande penetração fora dos centros urbanos. A grande massa da população permaneceu fiel a seus deuses antigos. Os cultos antigos, então, receberam a denominação pejorativa de "pagãos" ("pagani",plural de paganu, 'morador do campo'), por ter como foco de resistência à nova religião o povo dos campos, longe das cidades e das zonas de comércio e ensino.

Os missionários cristãos, com o tempo, passaram a ter mais aceitação nas cidades, mas continuavam sendo repelidos no campo, nas montanhas e nas regiões distantes, verdadeiros enclaves da Antiga Religião. Houve ainda uma tentativa de reativar o paganismo e o culto aos Deuses antigos como religião oficial do Império Romano.
Esta última esperança deveu-se ao Imperador Juliano (conhecido como "O Apóstata"), que reinou no século IV EC. Mas, como sabemos, essa tentativa não foi frutífera, derrubada pela própria conjuntura da época, onde já se pressentia o poder de manipulação, domínio e intriga do cristianismo, evidenciado nos séculos seguintes.

Um dos ardis utilizados pelos cristãos era o de apropriar-se de festividades pagãs como orações religiosas de sua própria religião.

Assim, por exemplo, o festival do solstício de inverno, onde se comemorava o nascimento do Deus-Sol, transformou-se no Natal cristão.

Também o festival de Samhain, comemorado em intenção dos mortos, recebeu o nome de Dia de Todos os Santos, logo seguido pelo dia de Finados.

A despeito destas tentativas, as tradições pagãs continuaram mantendo sua força. A partir de um decreto do Papa Gregório, os cristãos também se apossaram dos locais sagrados da Antiga Religião e, derrubando os templos ali existentes, erigiram suas igrejas. Os Deuses de cada santuário foram transformados em santos e santas (um exemplo é Santa Brígida, da Irlanda, na verdade a Deusa Bhríd, protetora do fogo e dos partos).

Quando os cristãos deram-se conta da importância da Deusa-Mãe para as pessoas, aumentaram a proeminência da Virgem Maria no culto cristão.

Mitos e práticas pagãs foram, sistematicamente, absorvidas, distorcidas e transformadas em ritos cristãos. Esculturas de temas pagãos foram incluídos em igrejas e capelas.

O maior exemplo de sincretismo entre costumes pagãos e cristãos é o cristianismo irlandês, que ainda hoje conserva hábitos célticos mesclados a liturgias cristãs. Os padres tinham a seu favor o tempo, o poder e a força. Os pagãos tinham que lutar sozinhos contra a profanação de seus templos, crenças e costumes. Desta maneira, o povo simples dos campos foi acostumando-se à nova religião, e gradualmente, foi sendo convertido. Mas os sacerdotes restantes da Antiga Religião não se renderam à nova ordem. Juntamente com pessoas ainda fiéis às antigas crenças, mantiveram o culto ao Deus de Chifres e à Deusa Mãe.

As crenças pagãs, enfatizando a adoração aos Deuses e a realização dos festivais de fertilidade, foram amalgamando-se à magia popular, criando a Bruxaria Européia. A magia popular consistia em um conjunto de feitiços feitos com o uso de ervas, bonecos e diversos outros meios. Estes feitiços tinham como objetivo a cura, a boa sorte, atrair amores, e fins menos nobres, como a morte de algum inimigo. São práticas desenvolvidas a partir do que restara da magia simpática pré-histórica, unidas ao conhecimento xamânico dos povos bárbaros.

Os teólogos cristãos passaram então a sustentar que a Bruxaria não existia. Assim, pretendiam terminar com a credibilidade dos bruxos e anular sua influência. Foi um período de relativa paz para a Arte. Mas logo os cristãos perceberam que seus esforços para exterminar completamente o paganismo não haviam dado resultado.

Fizeram então mais uma tentativa: transformaram o Deus de Chifres na personificação do Mal, do Antideus, do Inimigo.

A natureza dos Deuses pagãos é completamente diferente da do todo-poderoso “senhor de bondade” dos cristãos.

Nossos Deuses são quase “humanos”, pois têm características tanto ‘boas’ quanto ‘más’. A teologia cristã já pressupunha a existência de um antagonista a seu Jeová (o ‘Satan’ hebraico do Antigo Testamento e o ‘diabolos’ do Novo): um Inimigo.

Ele ainda não possuía forma definida e, quando era representado, o era em forma de serpente, como a que persuadiu Adão a comer a fruta da Árvore da Sabedoria. Dando a seu Satã a forma do Deus de Chifres (notadamente de deuses agro-pastoris como Pã e Sileno, dotados de cascos de bode e pequenos cornos), os cristãos conseguiram iniciar um clima de terror e medo em relação aos praticantes da Antiga Religião, o que os forçou a praticarem seus ritos em segredo.

Mas a era mais triste da Arte ainda estava por vir. A Era das Fogueiras.

A situação da Igreja até ao século XIII era caótica. Facções adversárias lutavam entre si, cada uma digladiando-se em favor de um dogma. Nos numerosos concílios realizados, ora, uma das facções impunham sua visão, ora outra. Isso favorecia um desmoralizante 'entra-e-sai' de dogmas, o que desacreditava a Igreja. Algumas destas facções também criticavam a corrupção e o jogo de poder dentro da classe sacerdotal, e levantavam dúvidas sobre o poder espiritual do papado.

Foi então criado um instrumento de repressão: o Tribunal de Santa Inquisição consistia em um corpo investigatório ignorante, brutal e preconceituoso, dirigido pela ordem dos Dominicanos.

Sua função primordial era a de acabar com as facções que se opunham a Igreja (denominadas 'heréticas'), através do extermínio sistemático de seus membros. Exemplos destas facções 'heréticas' eram os cátaros, os gnósticos e os templários. Com o tempo, os cristãos perceberam outro uso para seu Tribunal. Ainda persistiam Cultos aos Deuses Antigos, e, graças a transformação do Deus de Chifres no Demônio Cristãos, eram acusados de delitos absurdos, como o canibalismo, a destruição de lavouras (acusar de tal crime uma Religião dedicada à manutenção da fertilidade das colheitas é, no mínimo, ridículo) e muitos outros. Foi então proclamada, em 1484, a Bula contra os Bruxos, pelo Papa Inocêncio VIII.

Neste documento, ele relacionava os crimes atribuídos aos bruxos e dava plenos poderes à Inquisição para prender, torturar e punir todos aqueles que fossem suspeitos do 'crime de feitiçaria'.

Em 1486 foi publicado o Malleus Malleficarum ('Martelo dos Feiticeiros'), escrito pelos dominicanos Kramer e Sprenger.

O livro, absurdo e miseógino, era um manual de reconhecimento e caça aos bruxos, e, principalmente, às bruxas (o livro trazia afirmações surpreendentes, como: "quando uma mulher pensa sozinha, pensa em malefícios"). A partir daí, a Igreja abandonou completamente a postura de ignorar a Bruxaria: pelo contrário, não acreditar na sua existência era considerada a maior das heresias. Iniciou-se então um período de duzentos anos de terror, conhecido entre os bruxos como "Era das Fogueiras".

Mas os bruxos (e também os hereges e inocentes: doentes mentais, homossexuais, pessoas invejadas por poderosos, mulheres velhas e/ou solitárias) não pereciam só em fogueiras: eram também enforcados e esmagados sob pedras. Isso quando não pereciam nas torturas, as quais são tão cruéis e sádicas que não merecem nem ser mencionadas.
A Inquisição tornou-se uma válvula de escape para as neuroses da época: em época de forte repressão sexual, condenavam-se mulheres jovens, que eram despidas em frente a um grupo de 'investigadores', tinham todo seu corpo revistado diversas vezes, a procura de uma suposta marca do diabo' e, por fim, eram açoitadas, marcadas a ferro e violentadas. Terminavam condenadas e executadas como bruxas. Seu crime: serem mulheres jovens, belas e invejadas. Anciãs que moravam sozinhas, geralmente em companhia de alguns animais, como gatos (daí a lenda da ligação dos gatos com as bruxas), eram alvo de desconfiança e logo declaradas 'feiticeiras', e assim, assassinadas.

A maioria das vítimas dos tribunais de Inquisição não eram verdadeiros praticantes da Arte, mas muitos bruxos pereceram na mão dos cristãos. Aproximadamente nove milhões de crimes como este foram cometidos durante a Inquisição, ironicamente em nome de uma religião que se dizia 'de amor'. Nunca uma religião demonstrou tanta necessidade de exterminar seus antagonistas como o cristianismo.

A perseguição aos bruxos não resumiu-se apenas ao países católicos: espalhou-se pela Europa protestante.

Os protestantes não se guiavam pelo Malleus Malleficarum, mas davam razão à sua paranóia através do uso de uma citação do Antigo Testamento: "não deixarás que nenhum bruxo viva".

Na Era das Fogueiras, os praticantes da Antiga Religião adotaram o único comportamento que lhes possibilitaria a sobrevivência: "foram para o subterrâneo", ou seja, mantiveram o máximo de discrição e segredo possível.

A sabedoria pagã só era passada por tradição oral, e somente entre membros da mesma família ou vizinhos da mesma aldeia.

Como técnica de proteção, os próprios bruxos ajudaram a desacreditar sua imagem, sustentando que a Bruxaria não passava de lenda, ou disseminando idéias de bruxos como figuras cômicas e caricatas, dignas de pena e riso.

Por volta do final do século XVII, a perseguição aos bruxos foi diminuindo gradativamente, estando virtualmente extinta no século XVIII. A Bruxaria parecia, finalmente, ter morrido.

Mas os grupos de bruxos ("covens") resistiam, escondidos nas sombras. Algo que surgiu nos primórdios da humanidade não morreria assim tão facilmente.

O Renascer da Bruxaria.


A partir da metade do século XIX, a Bruxaria tornou-se novamente objeto de discussão, graças ao renascer do interesse em mitologia, folclore e magia.

Em 1862, Jules Michelet lançou sua obra "A Feiticeira", na qual falou sobre a sobrevivência dos cultos pagãos nas Idades Média e Moderna e sobre o surgimento paralelo do satanismo. Apesar de importante, as principais intenções de seu livro eram políticas: pretendia provar que a Bruxaria era um culto surgido nas camadas inferiores da sociedade em protesto à repressão da classe dominante.

Isso pode ser verdadeiro para o satanismo, mas não corresponde à realidade quando se trata de Bruxaria. Mas isso não diminui a importância de seu livro: sua tese da sobrevivência dos cultos pagãos influenciou o trabalho de vários antropólogos e folcloristas do final do século XIX e do início do século XX.

Um deles foi o norte-americano Charles Leland, um folclorista conhecido na época por suas pesquisas sobre cultura cigana.

Em 1899, Leland lançou um livro intitulado "Aradia, ou o Evangelho das Bruxas". Foi a primeira obra de grande importância para o renascimento da Bruxaria no século XX. Neste livro, Leland registrava as crenças reunidas por uma bruxa toscana chamada Maddalena, que ele conhecera em uma viagem pela Itália no ano de 1866. O livro fala da vecchia religione praticada naquela região: o culto à Deusa Aradia, filha de Diana com seu irmão Lúcifer. Aradia foi la prima strega ('a primeira bruxa'), enviada à Terra por sua mãe para ensinar as artes da feitiçaria aos humanos.

A idoneidade do livro é contestada atualmente por alguns historiadores da feitiçaria, que argumentam que Leland dirigiu sua pesquisa para enquadrar-se em suas concepções e nas idéias de Michelet. Outros dizem ainda que Maddalena traiu a boa fé do folclorista. O fato é que nada disto tira o mérito do livro, um clássico da Bruxaria moderna.

A década de 20 produziu dois importantes livros para a Bruxaria moderna: um deles foi "O Ramo de Ouro" ('The Golden 'Bough'), gigantesca obra do antropólogo James Frazer, versando sobre rituais de fertilidade.

As idéias que expôs em sua obra, juntamente com o conhecimento passado por Leland em 'Aradia' levaram a antropóloga Margaret Murray a lançar seu importante livro "O Culto de Bruxaria na Europa Ocidental" ('The Witch-Cult in Western Europe'), em 1921. Nele Murray sustentava que a Bruxaria era uma antiqüíssima religião organizada, presente em toda a Europa, baseada no culto a um deus chifrudo da fertilidade, que ela denominou de Dianus (ela falou mais sobre ele em seu livro 'The God of the Witches'). De acordo com ela, essa religião havia sobrevivido à perseguição e continuava com suas práticas, de maneira oculta. Muitas críticas já foram feitas à Murray, e a maioria se baseou na fraqueza de alguns de seus argumentos para defender a suposta 'organização' dessa religião.

Hoje sabemos que ela não era tão organizada nem praticada em tantos lugares quanto Murray sustentava, mas indubitavelmente existia um culto pagão, praticado de formas diferentes em lugares diferentes, que sobreviveu à perseguição.

Em 1948 Robert Graves escreveu sua excelente obra "A Deusa Branca" ('The White Goddess'), no qual concordava com Murray quanto à existência de um culto pagão disseminado pela Europa, mas apoiava a tese de que sua divindade mais importante era uma Deusa-Mãe, e não o Deus de Chifres. Três anos depois, em 1951, caíram as últimas leis anti-feitiçaria da Inglaterra.
A porta estava aberta para os bruxos. Surge então Gerald Gardner, o mais importante personagem do renascimento da Bruxaria como religião. Gardner era um folclorista inglês, amigo pessoal do grande mago Aleister Crowley.

Admirador de Frazer e Murray, realizava profundas pesquisas sobre os cultos de fertilidade pré-cristãos e sua sobrevivência. No decorrer destas pesquisas, em 1939, conheceu um grupo de pessoas que mais tarde descobriu fazerem parte de um Coven secreto (como o eram todos, na época).

Gardner ficou fascinado: a existência destes bruxos confirmava as teses de Margaret Murray. Estabeleceu uma relação de amizade profunda com os membros deste Coven (denominado Coven de New Forest), e acabou por receber Iniciação.

O Coven de New Forest, dirigido por uma bruxa conhecida por 'Old Dorothy', era representante de uma tradição que havia sobrevivido às perseguições.

Há quem insinue que Gardner inventou o Coven para dar bases à seu trabalho posterior, e que Old Dorothy nem ao menos existiu. Essas declarações foram brilhantemente refutadas com evidências históricas por Doreen Valiente, no ensaio "Em Busca de Old Dorothy", publicado no livro 'The Witches' Way"('O Caminho dos Bruxos'), do casal Janet e Stewart Farrar.

Com o passar do tempo, Gardner preocupou-se com o futuro da Tradição, pois todos os membros do Coven eram idosos, e não havia previsão de aceitar novos iniciados. Ele não aceitou esse destino, e pediu permissão para publicar algumas práticas da religião. Relutantes, os Sábios do Coven negaram. Mesmo assim, Gardner publicou, em 1948, "High Magic's Aid", um romance no qual descrevia, sutilmente, alguns rituais da Arte. A publicação do livro causou polêmica entre o Coven de New Forest, e Gardner quase foi banido. Mas, com a queda das leis anti-feitiçaria, os Sábios do Coven reviram sua posição e deram permissão a Gardner para afirmar que a Bruxaria estava viva, desde que não revelasse nenhum segredo.

Então, em 1954, Gerald Gardner publicou o primeiro livro da Bruxaria Moderna: "Witchcraft Today", seguido de "The Meaning of Witchcraft"(1959). Neles, Gardner afirmava estarem certas as teorias de Murray, pois ele mesmo era um bruxo iniciado.

Os livros falavam apenas superficialmente sobre a Tradição que lhe havia sido confiada, concentrando-se mais no aspecto histórico da religião. Paralelamente à publicação dos livros, Gardner saiu do Coven de New Forest e iniciou seu próprio Coven, iniciando pessoas que lhe pareciam sinceras e dedicadas. A essas pessoas, transmitia integralmente o conteúdo de um manuscrito, por ele denominado de "Livro das Sombras". Este livro continha integralmente a Tradição do Coven de New Forest, mesclada a práticas mágicas retiradas da Clavícula de Salomão e dos escritos de Crowley. Seu conteúdo, copiado por todo iniciado, passou a ser denominado de Tradição Gardneriana, a primeira Tradição da Bruxaria Moderna. O 'Livro das Sombras' Gardneriano teve três versões, conhecidas pelas letras A, B e C. O texto que é utilizado atualmente pelos Covens Gardnerianos é o C, escrito por Gardner em conjunto com uma de suas iniciadas, Doreen Valiente, responsável por grandes mudanças no texto original.

Valiente "paganizou" ao máximo os ritos e textos, retirando qualquer influência de magia judaico-cristã ou textos escritos por Crowley.

Atualmente, a Gardneriana é a mais sigilosa de todas as Tradições modernas. Gardner morreu em 1964, e o comando de seus Covens foi passado à Monique Wilson, conhecida como Lady Olwen.

Na década de 60, surgiu outro personagem importante na história moderna da Arte: Alex Sanders, que recebeu o título de "Rei dos Bruxos". Sanders era um grande interessado em bruxaria, que nunca havia conseguido ingressar em um dos Covens Gardnerianos.

De algum modo que até hoje não está bem esclarecido, conseguiu tomar posse de um 'Livro das Sombras' Gardneriano. Uniu o conhecimento do livro (provavelmente cópia do texto A) ao que afirmava ter sido transmitido por sua avó, uma bruxa familiar.

Sanders possuía um temperamento completamente antagônico ao de Gardner. Era um especialista em marketing pessoal, o que lhe deu extrema notoriedade. Milhares de pessoas foram iniciadas em seus Covens, e ele aparecia em entrevistas em TV, rádio e jornais. Era tão público que foi ameaçado de maldição por bruxos mais tradicionais, temendo que ele revelasse algum grande segredo da Arte. Mas isto nunca ocorreu: Sanders era um "show-man", mas não era burro.

A Tradição Alexandriana, fundada por Alex Sanders, é muito semelhante à Gardneriana. Sua principal diferença é a maior ênfase mágico-cabalística, quase inexistente na Tradição de Gardner. Sanders morreu em 1988, mas sua Tradição é uma das mais difundidas no mundo.

Existe também uma Tradição moderna denominada Alexandriana-Gardneriana (Al-Gard), que tenta conciliar os ensinamentos de ambas, com a inclusão de novos elementos, em sua maioria de origem céltica.

Os maiores representantes públicos atuais da Al-Gard são Janet e Stewart Farrar, da Irlanda.

Nos EUA, o primeiro bruxo a se manifestar publicamente foi o anglo-gitano Raymond Buckland, iniciado por Gardner e Lady Olwen.

Considerado pelo próprio Gardner um de seus herdeiros, Buckland migrou para os Estados Unidos logo após a morte do bruxo. Lá, ganhou notoriedade por seus livros sobre Ocultismo e por ser o fundador da Tradição Saxônica da Bruxaria, a Seax-Wica.

Nos Estados Unidos, com raras exceções, a Arte ganhou um novo aspecto, inexistente na Bruxaria Européia: o aspecto político. A Bruxaria uniu-se ao feminismo para gerar uma nova forma da Religião. Surgiram então Covens denominados "Diânicos", formados só por bruxas.

Algumas das representantes da Bruxaria feminista americana são Starwahk, Zsuzsana Budapest e Laurie Cabot. Com exceção da primeira, nenhuma delas é levada muito a sério pelos bruxos tradicionalistas europeus, que julgam-nas produtoras de distorções no verdadeiro espírito da Arte.

(Artigo originalmente escrito para instrução reservada de alunos. (...)A reprodução por qualquer meio é livre (...): 1993, Daniel Pellizzari.)

LEI WICCA- LEI TRIPLICE: “TUDO O QUE FIZERES VOLTARÁ EM TRIPLO PARA TI!”


LEI TRIPLICE:

“TUDO O QUE FIZERES VOLTARÁ EM TRIPLO PARA TI!”

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CONCELHO WICCA:

“FAÇA O QUE QUISER DESDE QUE NÃO FAÇA MAL A NADA NEM A NINGUÉM”

A religiao wicca baseia-se na Lei Triplice, lei essa que é aplicada tanto nos rituais mágicos, quanto no dia a dia, sendo pois um meio de vida da(o) bruxa(o) wicca.

A Lei Triplice ou a Lei de Três, é uma lei de reflexo, uma lei karmica de retribuição, que se aplica a qualquer acção, seja ela boa, seja ela má. Cada energia enviada regressa a quem a enviou (nesta mesma vida) com mais força, seja três vezes mais.

Assim se fizer um acto bom, que se traduz numa energia positiva, essa voltará para si mais dia menos dia. Se enviar uma energia negativa, essa energia, de igual forma fará seu percurso, e retornará ao enviante.

Tal lei em nada impede de exercer a magia, apesar de se entender que a magia por definição é o poder de alterar o estado natural das coisas. Você pode perfeitamente agir mágicamente no quotidiano, sem causar mal. A Lei triplice é uma noção ética da magia, é um limite moral, ainda que pessoal, ao lidar com os poderes mágicos: exercer a magia, viver a magia, fazer da magia o seu “way of life”, dentro de certos limites toleráveis. A intenção inicial, ao actuar mágicamente deverá então ser positiva e construtiva.

Outras regras wicca derivadas desta principal serão: “faça o que quiser, desde que para o bem”, “faça o que quiser desde que não cause mal a nada nem a ninguém”. Não existe um mal absoluto. Mas existem coisas indiscutivelmente ruins pelo senso comum: matar, privar de liberdade, causar danos físicos e emocionais a qualquer pessoa. Será a este tipo de “males” que a lei se refere.

Claudiney Pietro, no livro “Wicca – Ritos e Mistérios da bruxaria moderna”, diz que: “Quando interferimos no livre arbítrio de uma pessoa estamos efetuando um acto negativo contra a pessoa e contra nós mesmos. Quando um Bruxo faz isso, está trabalhando com a Baixa Magia, e ele pagará caro, pois o Universo nos retribui tudo o que emitimos aos outros numa escala de 3.”

Claudiney afirma igualmente que os feitiços são parte integrante do núcleo operacional da Wicca. O feitiço é “um conjunto de técnicas e conhecimentos específicos que quando colocados em prática, enviam uma projeção mental ao Universo”...”Um feitiço age directamente com a natureza”... “Tudo na natureza é vivo e possui energias específicas acumuladas”...”quando canalizadas corretamente, passam à agir em benefício daqueles que sabem utilizá-las”.

Lei Triplice:

A Lei Wiccana respeita,
Perfeito amor, confiança perfeita.
Viva e deixa viver,
Dá o justo para assim receber.
Três vezes o círculo traça
E assim o mal afasta.
E para firmar bem o encanto
Entoa em verso ou em canto.
Olhos brandos, toque leve,
Fala pouco, muito ouve.
Pelo horário a crescente se levanta
E a Runa da Bruxa canta.
Pelo anti-horário a minguante vigia
E entoa a Runa Sombria.
Quando está nova a lua da Mãe,
Beija duas vezes Suas mãos.
Quando a lua ao topo chegar,
Teu coração se deixará levar.
Para o poderoso vento norte,
Tranca as portas e boa sorte.
Do sul o vento benfazejo,
Do amor te traz um beijo.
Quando vem do oeste o vento,
Vêm os espíritos sem alento.
E quando do leste ele soprar,
Novidades para comemorar.
Nove madeiras no caldeirão,
Queima com pressa e lentidão.
Mas a árvore anciã, venera,
Se queimares, o mal te espera.
Quando a Roda começa a girar
É hora do fogo de Beltane queimar.
Em Yule, acende tua tora,
O Deus de chifres reina agora.
A flor, a erva, a fruta boa,
É a Deusa que te abençoa.
Para onde a água correr,
Joga uma pedra para tudo ver.
Se precisas de algo com razão,
À cobiça alheia não dá atenção.
E a companhia do tolo, melhor evitar,
Ou arriscas a ele te igualar.
Encontra feliz e feliz despede,
Um bom momento não se mede.
Da Lei Tríplice lembre também,
Três vezes o mal, três vezes o bem.
Quando quer que o mal desponte,
Usa a estrela azul na fronte.
Cultiva no amor a sinceridade,
Para receber igual verdade.
Ou um resumo, se assim preferes estar:
faz o que tu queres,
Sem nenhum mal causar.

No livro “Guia Essencial da Bruxa Solitária”, Scott Cunningham indica algumas regras de como utilizar o seu poder mágico, sem ter o triplo retorno, ou seja, para não ser punido pelo mau uso do poder:

1. O Poder não deve ser usado para gerar danos, males ou para controlar os outros. (Se surgir necessidade para tais atos, o Poder deverá ser usado apenas para proteger a sua vida ou de outros);

2. O Poder só deve ser utilizado conforme as necessidades;

3. O Poder pode ser utilizado em seu benefício, desde que ao agir não prejudique ninguém;

4. Não é sábio aceitar dinheiro para utilizar o Poder, pois ele rapidamente controla o que o recebe. Não seja como os de outras religiões;

5. Não utilize o Poder por motivo de orgulho, pois isto desvaloriza os mistérios da Wicca e da magia;

6. Lembre-se sempre de que o Poder é um Dom sagrado da Deusa e do Deus, e não deve JAMAIS ser mal usado ou abusado.

ENSINAMENTOS WICCANOS:

“1. Somos da Antiga Tradição, daqueles que caminham com a Deusa e com o Deus e recebem seu amor.

2. Conserve o Sabbats e Esbats para melhorar suas habilidades, caso contrário, diminuirá sua conexão com a Deusa e com o Deus.

3. Mal nenhum. Esta é a antiga lei e ela não está aberta para interpretações ou mudanças.

4. Que não jorre ou caia sangue nos rituais; a Deusa e o Deus não precisam de sangue para que sejam adorados de maneira apropriada.

5. Aqueles da nossa Tradição são bons com todas as criaturas, no entanto, aqueles que têm pensamentos negativos e nos esgotam inteiramente, não são dignos de nossa perda de energia. A miséria é auto-imposta, assim sendo, também a alegria, portanto crie alegria e despreze a miséria e a infelicidade. E tudo isto com sua força interior. Não há mal algum.

6. Ensine somente aquilo que você sabe, dê o melhor de si, para aqueles estudantes que você escolheu, mas não passe conhecimento para aqueles que poderiam usar seus ensinamentos para destruir ou controlar. Além disso, ensine sem vangloriar-se, se lembre sempre: aquele que ensinar por vaidade conseguirá somente um pouco de orgulho por seu trabalho; mas aquele que ensinar por amor será envolvido pelos braços da Deusa e do Deus.

7. Sempre se lembre disso se você pretende estar dentro da Tradição, mantenha a Lei próxima a seu coração, pois é a natureza do Wicca manter a Lei.

8. Se a necessidade chegar, nenhuma lei poderá ser modificada ou descartada, e se novas leis forem escritas para substitui-las, contanto que estas novas leis não descaracterizem as antigas: não há mal algum.

9. Bençãos do Deus e da Deusa para todos. “

Wicca -Definição, princípios e práticas


Definição, princípios e práticas




Definição:

A Wicca é uma religião Neo-pagã fundamentada nos cultos da fertilidade que se originaram na Europa Antiga. A tradição Wicca e seus termos são baseados em diversas culturas do paganismos antigo.

Os seguidores da Religião Wicca são chamados de Wiccanianos, Wiccanos, Wiccans ou Bruxos.

Princípios orientadores:

Os Wiccans (ou wiccanos) acreditam que as divindades se apresentem tanto nos aspectos masculinos quanto os femininos.

Não existem "entidades do mal" nas crenças Wiccans, assim como os Deuses não se encontram separados dos humanos. Eles transcendem toda energia e matéria do universo. Estas energias podem ser tanto positivas como negativas e são utilizadas pelos humanos em cada dia de suas vidas.

A Wicca é uma religião orientada para a Natureza, onde os wiccans procuram um equilíbrio espiritual, utilizando as energias, de forma a direccioná-las positivamente para suas vidas e das pessoas em seu redor. O uso destas energias é chamado de magia ou "magick".

Os wiccanianos não aceitam o conceito arbitrário do pecado original ou do mal absoluto, e não acreditam em céu ou inferno. Eles crêem que quando morremos, vamos à Terra de Verão (ou Terra da Juventude Eterna), onde recobramos nossas forças e nos tornarmos jovens novamente.

A Wicca é uma religião iniciática, e pode ser praticada tanto de forma tradicional quanto de forma solitária.

-Nas formas tradicionais, os praticantes avançam através de "graus" pré-definidos de iniciação e geralmente trabalham em círculos.

- Nas formas solitárias, os praticantes geralmente se auto-dedicam e auto-iniciam nas práticas da Wicca, e depois normalmente a praticam sozinhos. Algumas vezes, solitários são iniciados por outros sacerdotes ou sacerdotisas antes de estabelecerem sua prática.

Várias Tradições & várias práticas:

A religião Wiccaniana é formada de várias tradições como: a Gardneriana (tradição que segue os ensinamentos e praticas estabelecidos por Gardner), Alexandrina, Diânica, Tânica, Georgiana, Tradicionalista, Ética e outras, pois existem muitos praticantes que não pertencem a nenhuma tradição estabelecida, mas criam a sua própria forma de culto (ecléticos) aos Antigos Deuses.

Há uma enorme quantidade de variações sobre as crenças e as práticas Wiccanas:

A prática Wiccana mais comum cultua duas Divindades, a Deusa e o Deus, algumas vezes chamado de Deus Verde, Deus Caçador, Deus Criança, etc...

Algumas tradições, principalmente as denominadas Tradições diânicas enfatizam o culto da Deusa, outras dão ênfase ao Deus e a Deusa como complementos de toda a criação, como no caso a Tradição dos Pentáculos. Em alguns casos, o Deus tem um papel diminuído. Alguns praticantes discordam dessa posição, dizendo não haver razão para realizar as celebrações ritualísticas mais importantes sem a presença das duas polaridades. Outros praticantes vêem a Deusa como o Todo, sendo assim o Deus apenas uma parcela da Deusa.

Como se tornar Bruxo ou Bruxa


Como se tornar Bruxo ou Bruxa

Autoria: Gwynn Devin


A Wicca é uma das religiões que mais crescem nas últimas décadas. A freqüente exposição da imagem de bruxas (ou bruxos infantis, como no caso do fictício Harry Potter) fez com que a Wicca se popularizasse ainda mais e com isso a busca por informações sobre a religião aumentou substancialmente. Desde o começo dos anos 80 a Wicca vem se popularizando, graças aos esforços de grupos feministas que viram na religião da Deusa uma forma de se expressarem espiritualmente. Mas então... Isso significa que todos os que se interessam hoje em dia por Wicca o fazem por ser "moda"?


Claro que não. E se você está lendo este texto agora sabe que isso não é verdade. As pessoas que criticam os wiccanos pensam que seus praticantes, neófitos ou não, são burros ao ponto de estarem em uma religião apenas porque "se identificaram com o Gandalf" ou porque pensam que voarão em vassouras. Estamos falando de uma religião, gente.


Uma teoria bastante difundida no meio wiccano é a de que "a Deusa filtra". Isto é: com o tempo, aqueles que se dizem wiccanos verão se é isso mesmo o que querem ou não. E tudo bem se não for. Uma religião deve libertar, não prender. Todos somos livres para escolher qual caminhos queremos seguir.


Mas então você tem certeza de que quer se tornar uma Bruxa (ou Bruxo)? E está perdido sem saber por onde começar?


Calma, é normal. Não importa a sua idade; geralmente, quando nos deparamos com a Wicca, a sensação que temos é de que finalmente encontramos o que estávamos procurando, não é verdade? A identificação é imediata e logo queremos aprender mais e mais sobre a religião.


Aliás, chegamos a um dos pontos mais importantes de sua jornada. É consenso entre os bruxos "veteranos" que é absolutamente imprescindível você ter sede pelo conhecimento e buscá-lo em todos os lugares. Isso significa ler, ler muito.


Geralmente fica aquela coisa de: "Tá, mas o que eu leio primeiro?". A verdade é que você mesmo deve procurar em uma livraria o livro que mais lhe atrair, mas eu recomendo que você não deixe de ler os livros "clássicos"; aqueles que todo Bruxo recomenda quando você pergunta (ver lista abaixo). Outra coisa realmente importante com relação aos livros (e que você não deve jamais esquecer) é que você nunca deve se prender às idéias de um só livro ou de um só autor. Há muita coisa na Wicca que desvia bastante do caminho original e quem está começando agora não tem como discernir isso. A melhor maneira de evitar esse tipo de coisa é ler diferentes livros, de diferentes autores, e rapidamente você notará como há diferenças entre eles. Portanto, seja sempre humilde. Se alguém afirmar algo que a princípio você não concorde, não critique sem antes procurar entender a opinião da pessoa, sua tradição etc.


Recentemente, acompanhei em algumas listas de discussão pela Internet brigas enormes entre wiccanos justamente porque neófitos intolerantes e sem um pingo de humildade simplesmente recusavam a opinião de sacerdotes experientes. Ninguém aqui está dizendo que devemos dizer "amém" a essas pessoas, mas temos muito o que aprender com elas e respeito sempre é bom. É o respeitar para ser respeitado, pois somos todos iguais e acreditamos na Lei do Retorno - lembrem-se disso.


Mas continuando. Outra pergunta freqüente que sempre ouço é: "Mas eu não tenho dinheiro para comprar livros!". OK, você não precisa ter pressa. Sei que a maioria não gostará dessa resposta, mas nem sempre a verdade é aquilo o que queremos ouvir: você tem a vida toda pela frente e pode ter certeza de que você um dia terá dinheiro para comprar pelo menos alguns livros wiccanos. E outra: se você está lendo este texto agora é porque pode acessar a Internet de algum forma, e a Web é uma grande fonte de conhecimento. Este website inteiro é uma grande fonte de pesquisa e, se você ler tudo, estudar, em pouco tempo saberá os princípios básicos de nossa religião.


Vamos agora à uma outra realidade: a Wicca não é uma religião só de livros; a prática é tão importante quanto a teoria. No entanto, no começo, é comum todo mundo ficar mais ou menos perdido, sem saber o que fazer. O indicado é fazer o que se sente à vontade, seja um ritual elaborado para um sabbat, seja meditar com uma vela sob a luz da Lua. Por mais que você queira "só ler", por enquanto, vá se habituando (se já não for habituado) a acender incensos, velas, meditar, preparar chás. Aos poucos as coisas vão acontecendo. Como eu disse, não precisa ter pressa. Você terá muito tempo para praticar a religião; sua vida é longa e o verdadeiro aprendizado só vem com o tempo e dedicação (juntos, não separados). Toda vez que ficar ansioso com relação a isso, procure meditar, escrever no seu diário ou se distrair, mas relaxe.


Como este texto já está ficando enorme, seguem mais algumas breves dicas (mas não menos importantes) para quem, como você, está começando agora:

1. Não fique preocupado querendo ter todos os instrumentos (athame, caldeirão etc.). Como já disse, comece aos poucos com incensos, velas, ervas para chás. Guarde seu rico dinheirinho para os livros! Esses sim serão bem mais úteis agora!

2. Não fique se preocupando com dedicação, iniciação, auto-iniciação ou qualquer coisa relacionada. Se tiver um desejo imenso de se apresentar aos deuses como seu "novo filho", organize um ritual simples e seja sincero, com palavras vindas do seu coração. Eles sabem que você está começando e isso é muito mais válido que fazer um ritual sem muito significado pra você. Acenda uma vela branca e seu incenso preferido e pronto. Não se preocupe.

3. Eu sei que a vontade é grande, mas não fique contando a todo mundo sobre a sua nova opção religiosa. Lembre-se: saber, ousar, querer e calar. Você nunca sabe o que pode acontecer mais tarde e o preconceito pode nascer em qualquer lugar, infelizmente.

4. Não seja desrespeitoso com membros de outras religiões apenas porque você não concorda com eles. Ódio gera mais ódio e não é isso o que você quer, não é mesmo?

5. Seja humilde, sempre. Não tenha medo de perguntar quando tiver uma dúvida, nem seja intolerante apenas por não concordar com a opinião alheia. Estamos aprendendo sempre.

Segue a indicação de livros:

-O Livro Completo de Bruxaria, de Buckland (Raymond Buckland);

- O Poder da Bruxa, de Laurie Cabot;

- Wicca, A Religião da Deusa, de Claudiney Prieto;

- A Dança Cósmica das Feitiçeiras, de Starhawk;

- A Bruxaria Hoje, de Gerald Gardner;

- Os Mistérios Wiccanos, de Raven Grimassi


Seja qual livro você escolher primeiro ou depois, preste bastante atenção. Muitos autores escrevem de uma maneira gostosa de ler e por isso atraem muitos simpatizantes; eles dizem o que as pessoas querem ouvir. No entanto, o caminho mais fácil ou confortável nem sempre é o melhor caminho. Lembrando-se sempre disso, tenho certeza de que você estará evoluindo para ser uma verdadeira Bruxa ou Bruxo. Blessed be!

RITUAL DA PROSPERIDADE COM OS ANJOS






RITUAL DA PROSPERIDADE COM OS ANJOS

No livro "Rituais de Prosperidade" publicado pela Editora Maltese a maga Juliana Bueno ensina a entrar em sintonia com os Anjos e a invocá-los para evoluir espiritualmente e obter sucesso no amor, no trabalho, nas finanças e no relacionamento com amigos e parentes. Os rituais são feitos ao longo de sete dias. Devem começar sempre num Domingo e terminar num Sábado, dia favorável à libertação e a transmutação das dificuldades.

DOMINGO

A LUZ DOURADA ABRE A PORTA DE SUA ALMA E DO SEU CORAÇÃO.

Nesse primeiro dia de ritual, você vai entrar em harmonia com a vibração da cor dourada, que se relaciona com a prosperidade e com o poder do arcanjo Miguel.
Às sete ou às nove da manhã, estenda uma pequena toalha branca sobre uma mesinha e coloque bem no centro uma vela dourada ou amarela, um vaso com flores, um incenso, uma imagem de anjo e um copo com água. Ao acender o incenso e a vela, visualize um pequeno sol dourado pairando sobre sua cabeça. Imagine que os raios que saem desse sol envolvem seu corpo, formando uma espécie de nuvem dourada. Então, peça a Deus que conceda prosperidade, alegria, conforto, saúde e comida para todos os famintos e miseráveis da Terra. Em seguida, peça que as mesmas coisas sejam concedidas a seus amigos e familiares. Por fim, peça a Deus que lhe conceda essas coisas e também felicidade plena e realização pessoal.
Agradeça pela oportunidade de se ligar a Deus, aos anjos e aos mestres espirituais e invoque a proteção do arcanjo Miguel, que lhe dará a força necessária para concretizar seus desejos. Reze um Pai-Nosso e, assim que a vela acabar de se queimar, beba toda a água do copo e imagine que a luz dourada ainda envolve seu corpo.

SEGUNDA-FEIRA

A LUZ PRATEADA AJUDA A EXPANDIR SEUS POTENCIAIS.

Nesse dia, você vai se conectar com a cor prateada, que se relaciona com a capacidade de expandir potenciais e com a força do arcanjo Gabriel.
Faça esse ritual no horário em que você realizou a cerimônia do dia anterior.
No mesmo altar, coloque novamente um copo com água e acenda uma vela branca ou prateada, visualizando uma luz prateada que envolve seu corpo numa espiral. Em seguida, imagine um pequeno sol dourado bem no meio das suas sobrancelhas. Então, peça a Deus que conceda força interior, desenvolvimento espiritual, evolução e sabedoria a todos os lideres do planeta. Peça que eles ajam com justiça, bondade, honestidade, e franqueza. Depois visualize a Terra envolta numa luz prateada.
Peça a Deus que lhe conceda força, sabedoria, evolução espiritual e capacidade de desenvolver seus potenciais. Invoque o auxilio dos Anjos, do arcanjo Miguel e do Mestre Jesus, para que o ajudem a espalhar sabedoria, compreensão e harmonia nos lugares por onde passar. Sente-se, então com as pernas cruzadas à frente do corpo e as mãos pousadas no colo e uma breve meditação. Assim que a vela tiver acabado de queimar, beba toda a água do copo.

TERÇA-FEIRA

A LUZ AZUL DÁ PROTEÇÃO E AJUDA A DESENVOLVER O PODER INTERIOR.

Nesse dia, você vai se conectar com a cor azul, que si relaciona com a força do arcanjo Samuel. Trata-se de um ótimo dia para atrair proteção para você e para toda a sua família, e também para desenvolver qualidades com o a persistência, a intuição, a criatividade e a inteligência.

No mesmo horário em que fez o ritual dos dias anteriores, coloque um copo com água no altar e acenda um incenso e uma vela azul-marinho. Imagine que uma espiral de luz azul-marinho envolve seu copo da cabeça aos pés e peça a Deus, a Jesus e ao arcanjo Samuel proteção para seus familiares. Em seguida, peça proteção para você também e visualize dois. anjos de asas brancas, vestidos com túnicas azuis, pairando à frente da sua casa. Imagine que, a partir desse instante, você sempre será amparado por esses anjos guardiães.
Solicite ao arcanjo Samuel maior força interior, inteligência e criatividade. Em seguida. agradeça a ele e também a Deus, aos mestres espirituais e aos anjos. Caso se lembre de alguma pessoa que necessita de ajuda, escreva o nome dela num pedaço de papel e coloque sob a vela. Assim que a vela e o incenso acabarem de queimar, beba toda a água do copo.

QUARTA-FEIRA

A LUZ VERDE ATRAI SAÚDE PARA VOCÊ E TODA A HUMANIDADE.

Nesse dia, você vai se conectar com a cor verde, que se relaciona com a saúde e com a força do arcanjo Rafael.

Peça a Deus, ao arcanjo Rafael e aos anjos que o ajudem a superar todos os males e que concedam saúde a você e a todas as pessoas conhecidas. Peça, também, a melhora dos hospitais e o fim das epidemias e das doenças incuráveis. Agradeça a Deus, aos anjos, ao Mestre Jesus e a todos os mestres espirituais. Nesse dia, você vai se conectar com a cor verde, que se relaciona com a saúde e com a força do arcanjo Rafael.

No horário habitual, acenda uma vela verde e um incenso e coloque um copo com água sobre o altar. Ao acender a vela, visualize uma névoa verde-claro envolvendo seu corpo numa espiral. Retenha a respiração durante algum tempo, mas sem forçar. Quando não agüentar mais, expire lentamente. Caso esteja com problemas em alguma parte do corpo, visualize a cor verde se intensificando na região afetada. Inspire e expire várias vezes, imaginando que o ar que se renova no seu organismo.

Quando a vela e o incenso tiverem acabado de se queimar, beba toda a água do copo.

QUINTA-FEIRA

COM A LUZ AZUL-CELESTE SE CONQUISTA O EQUILÍBRIO E A PROSPERIDADE.

Nesse dia, você vai se conectar à cor azul-celeste, que se relaciona com o equilíbrio e a prosperidade material com a força do arcanjo Saquiel. No horário de sempre, coloque um copo com água sobre o altar e acenda uma vela azul-celeste e um incenso.

Visualize uma espiral de luz azul-celeste envolvendo seu corpo e direcione seus pensamentos para as pessoas que vivem na miséria. Imagine que, a partir desse momento, elas começarão a viver em melhores condições. Então, visualize uma pessoa que você sabe que está desempregada ou em dificuldades financeiras e peça a Jesus que a ajude a progredir.
Feito isso, peça a Deus, ao Mestre Jesus e ao arcanjo Saquiel ajuda para você prosperar. Visualize o arcanjo Saquiel à sua frente, vestido numa túnica branca e envolvido numa chuva de raios dourados Conte-lhe suas dificuldades. Mentalize. então, que a chuva dourada começa a cair sobre você, agradeça a Saquiel pela prosperidade já obtida. Imagine-se rico, equilibrado, saudável e feliz.

Se nesse dia sair à rua, dê uma esmola a alguém; isso fará com que seus sonhos se concretizem mais depressa. Assim que a vela tiver acabado de se queimar, beba toda água do copo.

SEXTA-FEIRA

A LUZ COR-DE-ROSA DO AMOR AJUDA A MUDAR O MUNDO PARA MELHOR.

Nesse dia, você vai se conectar à luz cor-de-rosa, que se relaciona com o amor e com a força do arcanjo Anael.

No horário habitual, coloque no altar uma fruta doce (pêra ou maçã, por exemplo), um copo com água, mel, um incenso de rosas e uma vela cor-de-rosa. Ao acender a vela e o incenso, visualize uma nuvem cor-de-rosa envolvendo todo o seu corpo numa espiral. Imagine essa nuvem se expandindo cada vez mais, até tomar conta do ambiente.
Então, imagine que um pequeno botão de rosa começa a brotar dentro do seu coração. Inspire suavemente pelas narinas e imagine que, aos poucos esse botão vai se abrindo, até desabrochar como uma linda flor. Quando a rosa estiver completamente aberta, pense firmemente na pessoa que você ama e mentalize que está lhe entregando essa flor.

Caso não esteja interessado em ninguém, imagine que está entregando a flor para sua alma gêmea, a quem ainda não conhece mas que espera encontrar em breve. Imagine que seus amigos e parentes também são envolvidos pela luz cor-de-rosa, libertando-se do desamor, das mágoas, das brigas e das traições.

Deixe a vela queimar até o fim, beba a água do copo e enterre a fruta num jardim florido.

SÁBADO

A LUZ VIOLETA PERMITE VENCER AS LIMITAÇÕESE SE TRASFORMAR.

Nesse dia, você vai se conectar com a cor violeta, relacionada ao poder de transmutação e à força do mestre Saint-Germain e do arcanjo Cassiel. Este último ritual poderá ser feito no horário de sempre ou às três da tarde.
Acenda um incenso e uma vela violeta e visualize uma nuvem violeta envolvendo seu corpo. Imagine que essa nuvem se expande cada vez mais, até envolver sua casa, seu país e o planeta Terra. Mentalize que a força da luz violeta transmuta os carmas negativos, de modo que o ódio, a pobreza e o sofrimento se transformem em amor, prosperidade e alegria.
Peça a Deus, ao Mestre Jesus, ao mestre Saint-Germain, ao arcanjo Cassiel e a todos os anjos que o ajudem a solucionar seus problemas pessoais. Inspire e expire profundamente três vezes e agradeça às forças celestiais pela ajuda prestada a você, às pessoas a quem você ama e a toda a humanidade.
Quando a vela e o incenso tiverem terminado de queimar, beba a água do copo e desmonte o altar. Tire peça por peça, lave o que for necessário e guarde tudo num lugar ao qual só você tenha acesso. Use-as apenas em novos rituais. Quanto às flores, é melhor que permaneçam dentro da sua casa.

(Fonte:http://www.angelfire.com/la/psique/prospero.html)